quinta-feira, 1 de junho de 2017

Warriors vs Cavs de novo: Sinal de desequilíbrio e previsibilidade?

Nessa quinta, 01/06, Cleveland Cavaliers e Golden State Warriors se enfrentarão no primeiro confronto das finais da NBA. Pelo terceiro ano consecutivo esses times irão jogar pelo título e o direito de erguer o Larry O’Brien Trophy. Depois do triunfo dos Warriors em 2015 por 4 a 2, o time de Cleveland revidou no ano passado e foi campeão por 4 a 3 (Chegou a estar perdendo de 3 a 1). As finais desse ano podem valer como um tira-teima entre essas duas equipes que têm alimentado uma rivalidade imensa entre si. É difícil imaginar um cenário de finais melhor do que esse, contando com grandes estrelas como LeBron James, Kevin Durant, Kyrie Irving, Stephen Curry, Andre Iguodala, Klay Thompson, Kevin Love e Draymond Green. Entretanto, será que o resto da temporada não foi afetado? Será que a falta de competitividade e poder de fogo de outros times não é prejudicial à NBA?

Ao que tudo indica, as finais desse ano devem quebrar recordes de audiência. Muito antecipado, o embate entre Warriors e Cavs já é debatido desde o início da temporada. Por mais que isso crie uma atmosfera de tensão e expectativa enorme em junho, o resto da temporada fica prejudicado. Nenhum time, com exceção do San Antonio Spurs, em momento algum da temporada demonstrou basquete o suficiente para ser levado a sério como um possível contender ou alguém que poderia evitar a reedição dessas finais. A sensação que foi passada durante o ano todo era de que a temporada toda era apenas um grande teatro que iria culminar no óbvio, uma final entre Cleveland e Golden State. Esse talvez tenha sido o fator principal por trás das quedas de audiência registradas pela NBA esse ano, afinal, qual a graça de assistir um torneio que você praticamente consegue afirmar quem serão os finalistas?

Tanto Golden State quanto Cleveland chegaram aos playoffs como favoritos e massacraram seus adversários. O primeiro “varreu” o Oeste, enquanto o segundo apenas perdeu 1 jogo. Para muitos, essa foi a pior temporada da história da NBA, justamente por causa da previsibilidade e da falta de competitividade. Algumas pessoas podem culpar Kevin Durant por essa bipolarização, já que ele saiu do bom Oklahoma City Thunder para unir forças com o já fortíssimo Golden State Warriors, em busca do caminho mais fácil para o seu tão sonhado primeiro anel. No entanto, é importante lembrar que ele não foi a primeira estrela a fazer isso, já que o próprio LeBron James, em 2011, se uniu a Dwayne Wade e Chris Bosh no Miami Heat para buscar títulos e, antes dele, os astros Kevin Garnett, Paul Pierce, Ray Allen e Rajon Rondo se uniram no Boston Celtics. A prática da união de astros em uma equipe não é algo novo na NBA, contudo, nunca se mostrou tão prejudicial quanto hoje.

Na La Liga, campeonato espanhol de futebol, há muito tempo temos uma dominância de Real Madrid e Barcelona, dois times que conquistam a maior parte dos títulos e, raramente são surpreendidos por algum time menor. Consequentemente, a La Liga, mesmo contando com dois dos melhores times do mundo não tem tanta audiência e apelo popular quanto a equilibrada Premier League, liga inglesa de futebol. O mais estranho disso é que o modelo de gestão da NBA é muito mais parecido com o da Premier League, ou seja, um modelo que evita dar benefícios monetários a times de maior fama e divide igualmente cotas de TV, entre outras coisas.

O modelo de gestão da NBA também não é muito diferente das outras ligas americanas, com divisão igual de cotas de TV e teto salarial, no entanto a maior liga de basquete do mundo não consegue ter o mesmo equilíbrio que NFL, MLB e NHL. Por que isso acontece? Eu acredito que a resposta esteja no próprio basquete que, ao contrário dos outros esportes, tem poucos jogadores em quadra. Para formar um time dominante na NBA, basta juntar 3 ou 4 grandes astros que consigam jogar de forma unida, ao passo em que na NFL cada time possui 11 jogadores titulares no ataque, 11 na defesa, além dos times especiais, logo é muito mais difícil montar e manter um time campeão. Não é à toa que nos últimos 10 anos apenas um time foi duas vezes seguidas ao Super Bowl, enquanto que na NBA os mesmos times estão indo pela terceira vez consecutiva às finais.

O desequilíbrio e a previsibilidade da NBA, dois problemas que ainda não foram superados como nas outras grandes ligas americanas, é, para muitos, o motivo pelo qual a NBA foi ultrapassada até pela NASCAR em índices de audiência nos Estados Unidos, mas como evitar isso? Há alguns anos atrás, a NBA impediu Chris Paul de se transferir para o Los Angeles Lakers em nome do equilíbrio, no entanto deixou LeBron James e Kevin Durant fazerem o mesmo com tranquilidade, o que é estranho e mostra uma falta de critério. A maior liga de basquete do mundo vai precisar fazer algo se quiser recuperar o brilho e a imprevisibilidade do esporte.

E você, acha que a NBA deveria fazer alguma coisa para evitar a “espanholização” da liga ou deveria deixar do jeito que está?

Victor Carneiro
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