segunda-feira, 12 de junho de 2017

O desafio de Cleveland rumo à eternidade

Até sexta-feira, o título do Golden State Warriors parecia apenas questão de tempo. No vestiário, durante o pré-jogo já tinha até comida no vestiário dos Warriors. O clima de festa estava pronto. No entanto, liderados por um Kyrie Irving pegando fogo e um Lebron James dominante, a equipe de Cleveland conquistou uma vitória relativamente tranquila e reaqueceu a série final da NBA. Mas será que os Cavaliers têm força o suficiente para conseguir fazer o impossível e conquistar a primeira virada da história da NBA de um time que estava perdendo por 3 a 0?

A vitória de sexta dos Cavaliers serviu para nos lembrar de algo que nunca deveríamos ter nos esquecido: esse time dos Warriors não é imbatível. Mesmo com um poder de fogo enorme e contando com estrelas do calibre de Stephen Curry, Draymond Green, Kevin Durant, Klay Thompson e Andre Iguodala, esse grupo têm falhas. A falta de um pivô dominante no garrafão é uma delas. O fraquíssimo Zaza Pachulia é titular da equipe e tem muitos problemas em seu jogo, é extremamente atrapalhado, comete faltas bobas, erra bloqueios, tem muitos erros mentais. Seu reserva, JaVale McGee, apesar de ser um jogador mais “raçudo”, também não é um grande pivô de nível de finais. Devido ao fato desses dois jogadores não se destacarem muito em suas posições, os Warriors usam e abusam de formações baixas, utilizando o ala-pivô Draymond Green como uma espécie de pivô improvisado. Apesar de criar maior dinamismo e velocidade, esse esquema de jogo gera dois problemas para a equipe de Golden State: rebotes e jogo de garrafão.

O segundo problema foi muito bem explorado no jogo 4 pelos Cavs. Kyrie Irving e Lebron James usaram e abusaram de bandejas e infiltrações. Draymond Green, apesar de ser um dos melhores defensores da NBA não é aquele pivô forte e alto que vai impedir dois jogadores desse nível de explorarem essa área da quadra. Como consequência, os Warriors tentam diminuir as penetrações desses dois com marcações dobradas ou colocando seus melhores jogadores para marcá-los. Em decorrência disso, jogadores secundários de Cleveland como Kyle Korver, JR Smith, Iman Shumpert e, até mesmo Kevin Love, ficam com marcação mais frouxa e tem mais espaço para arremessar de 3. Nos primeiros 2 jogos, esses jogadores não estavam conseguindo acertar seus arremessos e, exceto pelo Love, todos estavam apagados. Não é à toa que nesses jogos Cleveland perdeu por uma média de 20,5 pontos.

A questão do rebote é uma relação de causa e consequência. Os Warriors optam por um time mais baixo e dinâmico, tendo maior poder de perímetro e velocidade que seus adversários, contudo o time fica exposto nos rebotes. Em teoria, com o time mais baixo, a chance de pegar rebotes, tanto no ataque quanto na defesa, é menor, portanto Cleveland precisa se aproveitar dessa vantagem. Tristan Thompson e Kevin Love se tornam peças importantes aqui, pois os dois são ótimos nesse quesito. É importante que ambos peguem o máximo de rebotes ofensivos, permitindo que os Cavaliers possam ter mais segundas chances e desacelerar o ritmo de jogo. Não permitir rebotes ofensivos da equipe de Golden State também é importante, pois dar chances extras ao melhor ataque da NBA é muito perigoso.

Ano passado, depois de estar perdendo por 3 a 1, Cleveland começou a se utilizar de uma estratégia defensiva que centrava suas atenções nos “Splash Brothers” (Curry e Thompson), permitindo espaços para jogadores como Harrison Barnes arremessarem com certa liberdade. A estratégia era arriscada, mas deu certo. Pensando nisso, a equipe de Golden State não renovou com Harrison Barnes e trouxe Kevin Durant, um dos melhores jogadores da liga, para o seu lugar. Utilizar a mesma estratégia, deixando espaços para o Kevin Durant seria quase um suicídio, portanto os Cavaliers precisam encontrar outra maneira de ganhar sua batalha na defesa. Então, como parar o explosivo ataque dos Warriors?

Às vezes, a melhor defesa é um bom ataque. Parar o ataque de Golden Sate é uma missão quase impossível e, certamente, os Cavaliers não serão capazes de fazer isso nos 3 jogos, mas para ganhar deles não precisa impedir que tenham uma boa noite ofensivamente, vide o jogo 4. Faz-se necessário que Cleveland assuma uma postura ofensiva mais cadenciada, com posses de bola longas e que Irving e James chamem a responsabilidade, anotando mais de 30 pontos cada e encontrando seus companheiros livres para arremessar de 3. Jogos corridos são extremamente favoráveis aos Warriors, que são acostumados a esse estilo de jogo e aguentam 48 minutos nesse ritmo, diferente de Cleveland que sofre no final, motivo esse responsável pela derrota no jogo 3. Não cometer erros mentais e turnovers também é essencial, afinal Golden State é praticamente imbatível no jogo de transição. Na defesa, Cleveland precisa continuar impondo o estilo de jogo físico que tiveram no jogo 4, incomodando ao máximo Curry, Durant e companhia. Entrar na mente dos jogadores também é importante. No último jogo deu para perceber o incômodo dos jogadores da Califórnia, principalmente de Green, com tanto “trash talk”. A parte mental, tão subestimada por muitos, pode decidir jogos no final e contribuir com a piora na performance do adversário.

Ganhar mais 3 jogos não será nada fácil para Cleveland, mas ano passado eles mostraram que são capazes de virar uma série quando ninguém mais acredita. Será que os Cavaliers vão conseguir fazer história de novo e serem lembrados pela eternidade? Fica a pergunta para vocês.

Victor Carneiro
Comente via Blogger
Comente via Facebook
Comente via Google+

Nenhum comentário:

Postar um comentário

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...