quarta-feira, 24 de maio de 2017

A lenda silenciosa

Na última segunda (22), o Golden State Warriors confirmou seu favoritismo e ganhou do San Antonio Spurs, confirmando uma varrida que parecia inevitável. A série que acontecia pela final da conferência oeste e que começou com promessa de muito equilíbrio acabou sendo marcada pelo desequilíbrio e pela facilidade como Golden State se classificou para a final da NBA. As lesões de David Lee, Tony Parker e, principalmente, de Kawhi Leonard tiraram qualquer chance dos Spurs de evitar que os Warriors se sagrassem campeões do Oeste pelo terceiro ano consecutivo. A série também marcou a provável despedida de Manu Ginóbili do basquete profissional.

Emanuel David Ginóbili Maccari fez história na NBA e na Seleção Argentina. Jogador do San Antonio Spurs de 2002 até hoje, formou um “Big Three” histórico ao lado de Tim Duncan e Tony Parker. O primeiro se aposentou no ano passado, enquanto o segundo deve jogar por pouco tempo a mais e já mostra sinais de declínio. O trio conquistou junto 4 títulos de NBA e se classificou para os playoffs em todas as temporadas em que estiveram unidos. Pela seleção da Argentina, Manu também foi vitorioso e, ao lado de Luis Scola, conquistou o Ouro Olímpico em 2004, derrubando a favoritíssima seleção dos Estados Unidos nas semifinais. Além desse título, chegou a ser vice-campeão da Copa do Mundo de Basquete da FIBA em 2002, numa derrota contra a Iugoslávia marcada pela arbitragem, e conquistou o bronze nas Olimpíadas de 2008. Muitos brasileiros devem lembrar dele como um carrasco da Seleção Brasileira, já que a Argentina liderada por ele era uma grande algoz do Brasil, tendo nos eliminado de diversos torneios.

Na NBA sempre teve um papel importante saindo do banco, era o chamado “sexto homem”, posição que lhe rendeu o prêmio de melhor sexto homem da liga na temporada de 2007-08. Talvez por ter sido um reserva, sempre foi subestimado. Jogar num mercado pequeno e não ter um estilo falastrão, sempre preferindo que o seu jogo falasse por si só, também não o ajudaram a ter a atenção midiática merecida, mas foi com esse jogo silencioso que colocou seu nome na história do basquete. Ao longo de 992 jogos, jogando em média 25,8 minutos, Manu manteve uma média de 13,6 pontos. Numa época em que vemos grandes estrelas fazendo 30 pontos por jogo, os números de Manu podem não ser impressionantes, mas eles foram suficientes. O ala-armador tinha o papel de vir do banco como uma arma surpresa e conseguiu durante 15 anos fazer isso com propriedade, ajudando um time que sempre estava na luta por títulos. Não é à toa que, para muitos, o camisa 20 do San Antonio Spurs é o melhor jogador sul-americano da história.

Manu Ginóbili pode não ser um Lebron James, um Michael Jordan, um Larry Bird ou um Kobe Bryant, ele pode nunca ser citado nas discussões de quem é o melhor da história, mas isso não faz dele menos importante. Manu é um vencedor, um jogador que marcou seu nome na história fazendo o feijão com arroz, jogando um basquete de campeão. Seu jogo nunca foi o mais bonito ou o mais talentoso, mas ele cumpria seu papel com perfeição. Ontem, na sua provável despedida, Ginóbili marcou 15 pontos e deu 7 assistências. Mais uma vez, estatísticas que não impressionam, porém quem viu o jogo sabe o quão importante ele foi em quadra e o quanto ele ajudou os Spurs a darem trabalho para os Warriors. Sua última partida, assim como toda a sua carreira, foi subestimada, só faltou ser vitoriosa.

Obrigado, Manu Ginóbili!

Victor Carneiro
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