quinta-feira, 6 de abril de 2017

Feliz ano novo, futebol brasileiro

Fala galera! Os campeonatos estaduais vão chegando ao final, a maioria deles já se encontra em sua fase decisiva, e ao mesmo tempo que afunilam, significa o fim da linha para a maioria dos clubes do país, principalmente para os de menor porte, que encerram sua temporada ainda no primeiro quarto do ano.

Sempre existe a discussão sobre a necessidade dos estaduais. Há quem defenda que eles são indispensáveis para a sobrevivência dos pequenos, no meu caso, acredito que eles são os maiores culpados pela extinção de muitos clubes, que endividados – óbvio que a má gestão atrapalha – e sem um calendário permanente, fecham as portas.

Pegamos como exemplo o Resende, que terminou a competição na 11ª colocação geral e jogou sua última partida no domingo passado, quando foi derrotado pelo Botafogo por 3x2. A equipe não disputará nenhuma divisão nacional em 2017, tem como única possibilidade a longínqua Copa Rio, que começa em agosto e dá vaga à Série D e à Copa do Brasil de 2018.

O que o clube fará entre abril e agosto? Provavelmente os jogadores já estão com seus contratos encerrados, mas na maioria das vezes há um desmanche nas equipes, com recontratação no período de competição.

Mas além disso, ainda tem a parte financeira. Será que o Resende teve lucro no Carioca?

Das 11 partidas disputadas, apenas uma foi realizada em sua casa, o Estádio do Trabalhador, em Resende, justamente o jogo de estreia contra o Volta Redonda, empate em 2x2. Mesmo “com o mando de campo”, não permitiram que a equipe jogasse em casa nas 10 partidas seguintes. Fatos como esse justificam, por exemplo, fechar com mais de 40 mil reais negativo a partida contra o Flamengo, realizada no Raulino de Oliveira, em Volta Redonda.

Somando todos os borderôs o Resende teve uma receita líquida de -R$ 42.719,47. Isso mesmo, 42 mil reais no vermelho. Para inibir os números, a Ferj “deu” um bônus que somados, chegam à R$ 43.589,94, gerando um lucro de míseros R$ 870,47... acho que não paga o salário nem do roupeiro do time né?

Enquanto isso, apenas nessas 11 partidas, a Ferj teve uma receita de R$ 28.623,50, que ela alega ser usada em custos operacionais (vai ter custo operacional assim lá na Guanabara!).

Ah... mas os clubes ganham mais que isso... a federação também inibe os números reais dizendo que para cada partida disputada, a equipe ganha R$ 200 mil de cota de TV - sim, eles inventaram isso no borderô agora – enquanto que a Ferj recebeu 12 milhões só por organizar o campeonato. Sendo assim, o Resende fecha O ANO, é, o ano, não tem mais jogo esse ano a não ser pela falida Copa Rio, com o faturamento de R$ 2.200,870,47, o que quer dizer que em média, o clube tem R$ 183.405,87. Nessa conta não entram as despesas de transporte, alimentação, possíveis hospedagens, impostos e etc. Apenas com um rabisco no papel a federação ganhou quase seis vezes mais que um dos seus filiados, isso é normal?

Os times pequenos - alguns dos grandes também - pagam pra jogar o estadual, isso é fato consumado, não tem volta, a não ser que façam algo que volte a chamar a atenção do torcedor - acho difícil – e tire das federações o poder sobre os mesmos.

Caso contrário, cada vez menos teremos clubes que um dia foram tradicionais (América, São Cristóvão, Bangu...) em atividade.


Fui
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