domingo, 29 de janeiro de 2017

Atropelando o improvável

Melbourne, Austrália, 29 de janeiro de 2017, no complexo de tênis de Melbourne Park, Roger Federer e Rafael Nadal disputam pela 9ª vez uma final de Grand Slam. No histórico, vantagem do espanhol, que faturou seis títulos, inclusive um na Austrália, contra dois do suíço.

A última vez que os dois haviam se enfrentado em uma decisão desse porte tinha sido em 2011, quando Nadal venceu Federer por 3x1 na final de Roland Garros. Desde 2014 o "Touro Miúra" não chegava em uma final de Grand Slam, já o suíço não chegava desde 2015.

MURRAY E DJOKO FAVORITOS


Um final improvável, já que Murray e Djokovic dominam o circuito há pelo menos dois anos. Além disso, tanto Roger quanto Rafa ficaram os últimos meses do ano passado no departamento médico, nem os mais fanáticos consideravam essa decisão.

As coisas começam a mudar quando Istomin derruba o sérvio na segunda rodada, um resultado surpreendente. Logo depois é o líder do ranking que cai, ao ser batido por Misha Zverev na quarta rodada.

Somado a isso o suíço batia Berdych com um 3x0 de respeito, e depois de uma batalha em 5 sets, derrubava Key Nishikori, dois top 10. Já Nadal havia passado pela sensação alemã, irmão de Misha, o garoto Alexander Zverev, e logo depois seu rival dos tempos de juvenil, Gael Monfils. Com partidas fáceis pelas quartas, os dois caminhavam para a decisão, mas na semi precisariam mais uma vez da superação.

Roger enfrentou seu compatriota Stanislas Wawrinka, outro top 10. E depois de abrir 2x0, o que parecia um jogo simples se complicou, sendo decidido apenas no 5º set com um 6/3 para o ex-número 1, garantindo depois de um ano e meio a sua participação em uma final de Slam.

Na outra chave, Rafa enfrentaria um tenista promissor, de técnica refinada mas que sucumbe ao psicológico. Em um jogo de altos e baixos para ambos, e com quase cinco horas de duração, o espanhol bate Grigor Dimitrov por 6/3 - 5/7 - 7/6 - 6/7 e 6/4, carimbando seu passaporte para a decisão.

A FINAL

Como era esperado, um jogo equilibrado, sem favoritos. Se no início todos pensavam que Federer faturaria, no segundo set já colocaram Nadal à frente. Se o suíço atropelou no terceiro, o quarto e o início do quinto davam mostras de que o espanhol levaria mais esse troféu pra casa. Com uma quebra de saque logo no primeiro game do set, e após um quarto set sem ser quebrado, tudo caminhava para o título de Rafa. O Touro Miúra se manteve à frente até o 3x2, mas quando sacava pra 4x2, a quadra Rod Laver começa a presenciar o que talvez seja o ato final do maior tenista de todos os tempos.

Um quebra igualando o marcador em 3x3. Um serviço confirmado sem levar um ponto sequer, e mais uma quebra na sequencia. Com 5x3 na parcial, bastava confirmar o serviço e correr pro abraço. Mas o jogo era entre Roger Federer e Rafael Nadal, e a final que antes era improvável, faz com que o resultado de cada game também se torne.

Rafa abre 30x0, a quebra está próxima, mas Roger diminuir pra 30x15. Mais um ponto de Nadal e os dois break points ameaçam Federer. Mas com o saque na mão estava o maior tenista de todos os tempos. Com um final de jogo consistente, ele chega ao match point e finaliza o rival após 3 horas e 37 minutos de partida, voltando ao top 10 do ranking mundial. Um 3x2 de repeito, uma aula de tênis para todos os fãs do esporte, que agora ganharam uma "pulguinha atrás da orelha".

Será que Federer ainda tem lenha pra queimar ou seria esse o seu último ato?

Se foi, só nos resta agradecer por tudo o que ele nos mostrou, mas fico na torcida para que ele volte a brigar pelo topo do ranking, mesmo sabendo ser improvável. Se bem que Federer e Nadal já nos provaram que o improvável vive sendo derrotado por eles.

Luiz Paulo Knop
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