quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Sobre vaias e mimimis

Lavilleni, Thiago e Sam Kendricks
Thiago Braz conquistou uma medalha de ouro histórica no salto com vara.  Além de bater o francês Renaud Lavillenie, o brasileiro quebrou o recorde olímpico e colocou seu nome junto aos grandes do esporte.

Apesar de toda essa festa brasileira, um fato marcou a disputa fora da pista: as vaias da torcida ao francês. Já apontada pela imprensa internacional como característica dos brasileiros, esse comportamento parece não ser muito bem digerido por todos os atletas.

E Lavillenie sentiu o peso da torcida. Quem assistiu à disputa, percebeu claramente que o francês saiu de si e perdeu completamente a concentração. Por outro lado, o desempenho de Thiago foi potencializado pelo apoio e o levou ao lugar mais alto do pódio.

Tudo isso levou a uma discussão no mundo virtual sobre os limites até onde a torcida pode ir. Em esportes como tênis, por exemplo, um código de conduta impõe que a torcida só se manifeste enquanto a bola não estiver em jogo. O que não acontece no atletismo, que por sua vez é caracterizado por sempre ter o apoio a todos os atletas independentemente de nacionalidade.

Então, o que podemos pensar disso tudo? É errado torcer dessa forma? O afã da torcida brasileira em querer medalhas justifica essa conduta? Vale lembrar que isso é imposto pelo dogma de que vencedor é apenas aquele que ocupa o lugar mais alto do pódio.

Bom, pra não ficar em cima do muro eu vou dizer a minha opinião:

- Culturalmente, as vaias estão presentes na torcida brasileira, assim como as vuvuzelas estão presentes na torcida da África do Sul. Os europeus têm o péssimo hábito que querer dizer que o seu padrão de torcida é o único válido e tentam a qualquer custo minimizar e criminalizar comportamentos diversos.

- Não, não é legal vaiar ao ponto de hostilizar um atleta. Mas não me pareceu o caso, até que Lavillenie perdeu uma ótima oportunidade de calar a boca. O tom das críticas tenta claramente minimizar a vitória de Thiago e tira o foco de que o brasileiro foi melhor na competição.

- Se o francês se considera um atleta de ponta, deveria saber lidar com situações adversas. Isso tudo mostrou que ele não é psicologicamente preparado para lidar com situações que fogem ao seu controle.

- O americano Sam Kendricks levou o bronze na competição e, ao contrário do francês, esbanjou simpatia o tempo todo, se mostrando feliz pelo brasileiro.

- Se eu fosse Lavillenie, deixaria de mimimi e escreveria logo uma carta aberta admitindo a derrota por mérito do brasileiro e se desculpando pelas palavras que usou durante esse episódio.

Por fim, se nós brasileiros tivermos que mudar nossas atitudes a cada vez que um estrangeiro reclamar, nos tornaremos um povo sem identidade. O que faz desses Jogos Olímpicos diferentes é justamente o calor do povo e a disputa esportiva em um contexto em que nem sempre a torcida se comporta como uma torcida de tênis. E sim, apesar disso, continuamos a ser o povo mais hospitaleiro do mundo.

Comente via Blogger
Comente via Facebook
Comente via Google+

Nenhum comentário:

Postar um comentário

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...