terça-feira, 19 de abril de 2016

Idolatria em xeque

Maior ídolo da história contemporânea tricolor, Frederico Chaves, está na contramão da ascensão do time de guerreiros. A chegada do técnico Levir Cupi e o ótimo início de trabalho coincidem com a péssima fase do atacante. Após Fred cobrar um dos jovens que a bola não estaria chegando até ele, o treinador interveio e informou que no vestiário quem mandava era o técnico.

O ídolo tricolor cumpre o papel de “padrinho dos moleques de Xerém”, jogadores que chegam da base para o profissional e encontram no craque a referência, proteção e incentivo para voos mais altos na carreira. No intervalo do jogo contra o Madureira, quando o Flu vencia por 2 x 1, Fred cobrou Marcos Júnior pelo fato da bola não estar chegando nele. O estilo de jogo voltado para o atacante não faz parte dos planos do novo técnico que prioriza o coletivo. Levir reprovou a atitude do capitão, informando que no vestiário quem questionava a forma de se jogar era o técnico. 
Contratado em 2009, Fred ajudou a salvar o clube do rebaixamento e chegou a final da Copa Sul-americana no primeiro ano de Laranjeiras. No ano seguinte, Don Fredon foi Campeão Brasileiro, em 2012 foi Campeão Carioca e, novamente Brasileiro, além de ganhar prêmios individuais como melhor jogador e atacante daquele Brasileirão. A boa fase o levou a Seleção onde em 2013 foi destaque na Copa das Confederações com uma atuação épica na final contra a Espanha, em pleno Maracanã. Depois do fiasco na Copa de 2014 e uma avalanche de críticas, a torcida tricolor promoveu um corredor de boas vindas ao jogador com frases de incentivo durante o trajeto de sua casa até as Laranjeiras em sua reapresentação pós-Copa. Resultado: artilheiro do Brasileirão-2014 e a promessa de encerrar a carreira no Flu.

O terceiro maior artilheiro do Fluminense não se encontra em bom momento dentro e fora de campo. Após seu melhor inicio de temporada, 6 gols em 4 jogos, o ídolo tricolor atravessa um jejum de 9 jogos. Ao mesmo tempo, a torcida tricolor está cada vez mais próxima do time, desde a saída do técnico Eduardo Baptista o Flu só perdeu uma partida, a última. Foram 11 jogos sem perder até então. O período de invencibilidade colocou o tricolor na Final da Primeira Liga, deu o vice da Taça Guanabara e classificação para a segunda fase da Copa do Brasil. Os números fazem a torcida colocar o ídolo em cheque, será que a Fred-dependência chegou ao fim?

Levir preserva a hierarquia dentro de uma equipe, Fred questiona seu espaço e o respeito por tudo que alcançou no Fluminense e a torcida clamou pela reconciliação do Capitão com o Professor. Nada que uma boa conversa não pudesse resolver desde que as partes tenham o mesmo interesse, o Fluminense Football Club.

Resta saber se o Fred que veremos de agora em diante é o dos tempos de vitórias com gols dele, ou dos tempos de vitória sem participação efetiva do camisa 9.

Luiz Felipe Furtado
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