segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Made in China

Faz um tempo que gostaria de ter falado sobre a "invasão" chinesa em nosso futebol. Escolhi esta semana porque voltamos a realidade de nosso futebol: clássicos regionais, estreias na Libertadores, jogos históricos e times em baixa, mas muito tradicionais, na TV. Com certeza uma semana para amante do futebol nenhum colocar defeito. Como havia escrito há um tempo, as férias do futebol me enlouquece, fico entediado com noticias apenas do "vai e vem" do mercado da bola. Este ano quem movimentou os noticiários foram os chineses e sua voracidade em buscar nossos principais destaques do Campeonato Brasileiro de 2015. O Corinthians que o diga.

Quem assistiu as Olimpiadas de Pequim, não se espanta com a capacidade de mobilização dos chineses quando botam uma meta na cabeça. Com a clara intenção de promover o futebol em seu país e quem sabe se tornar uma potencia mundial, despejaram dinheiro por aqui e pelo mundo inteiro. Acho que os chineses cansaram de apenas serem consumidores de potencias como Barcelona, Manchester United e Real Madrid.

De fato nossa economia não tem capacidade de competir com a força econômica da China e assim, é natural que os jogadores não tenham muita opção da negativa, pois a disparidade salarial e de prêmios por assinatura é quase uma Mega-Sena, e uma garantia do futuro para muitos, principalmente os mais velhos. Para os mais novos o velho dilema da manutenção da carreira em visibilidade ou a "geladeira" que só o preço da grana pode pagar.

Já vimos este filme antes e o dinheiro não conseguiu comprar a construção de um futebol de primeira linha mundial como "nas arábias" com seus "petrodólares"  O dilema é sempre o mesmo e com certeza teremos ainda outras ondas de países com economia mais forte nos sondando e levando embora nossos destaques. Na minha opinião se fossem realmente jogadores acima da media, ainda teriam a opção de um grande ou médio clube europeu, como o Neymar por exemplo. O que tem acontecido é que nossos jogadores perderam mercado e só resta mesma a opção monetária.

Este argumento financeiro eu questiono um pouco, pois a maioria dos jogadores levados para os confins da China são jogadores da primeira divisão nacional, como o Jadson por exemplo. Ganhando pelo menos R$ 300.000,00 por mês, como dizer que não tem o futuro garantindo? É claro que a diferença, como disse anteriormente é uma Mega-Sena e é justificável. Mas em minha opinião, daria para negar com um pouco de pensamento menos "mercenário". Não crucifico, pois é muita coisa envolvida e claro que todo mundo prefere ganhar mais a menos, obvio.

Meu ponto principal é que esta debandada para o mundo asiático, demonstra uma clara queda na qualidade de nossos "artistas da bola". Isto fica muito claro, quando os jogadores argentinos ainda continuam com certo mercado na Europa. Gostaria que fosse diferente, mas é fato. Precisamos voltar a investir pesado na base e voltar com nossa formação de craques em escala bem maior. Isso se faz com organização o que diminuiria nossa exposição ao dinheiro de fora.

Enquanto não tivermos o mínimo de organização, de tempos em tempos vamos sofrer. Se conseguirmos segurar um pouco nossos jogadores, talvez tenhamos mais mercado europeu nos principais campeonatos e nossos jogadores continuarão jogando em alto nível, beneficiando até a nossa combalida seleção canarinho.  No mais, é vida que segue, e que se feche logo a janela chinesa de transferência.

* Diego Ribas
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