terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Era um garoto

Se as minhas lembranças dos Jogos Olímpicos de 1992 não são tão nítidas, as de 1996 já soam naturais para mim. Afinal de contas, para uma criança que 2 anos antes tinha visto o tetracampeonato no futebol, uma outra competição ocorrendo nos Estados Unidos soava como um agradável dejavu.

E aquele garoto não poderia deixar de acreditar que torcia para o melhor time do mundo. Além de ser campeão mundial, o Brasil era uma Seleção recheada de craques e tinha as suas esperanças colocadas em um tal de Ronaldinho, que futuramente seria chamado de Ronaldo.

Confesso que a princípio não tinha ido com a cara dele... "Ora, o companheiro de Bebeto no ataque tinha que Romário, o cara que acabou com a Copa de 94! Como pode um careca que ninguém conhece jogar no lugar dele?!", dizia.

Mas a perspectiva era boa. E aquele garoto passou a ter certeza de que a Seleção Canarinho venceria a competição. Logo antes do campeonato começar, um amistoso contra ninguém menos que a Seleção do Resto do Mundo! E ele imaginava que o mundo todo havia se juntado para tentar vencer o time imbatível.


A vitória por 2 a 1 só serviu para dar a certeza de que era questão de tempo até pegar a medalha de ouro. Um time campeão mundial, e que de quebra ganhara de um time que era formado por todos os melhores jogadores que não eram brasileiros? Tá no papo!

Mas não foi desse jeito. A alegria daquele garoto durou até o final do primeiro tempo da semifinal. Um time que vencia por 3 a 1 ao final do primeiro tempo e jogando muito, não perderia aquele jogo. "Se consegue fazer 3 em um tempo, consegue terminar o jogo com 6", pensava.


Uma tristeza sem precedentes tomava conta daquela criança. Uma decepção que seria um aprendizado para a toda a vida. Sentimento que foi amenizado na partida seguinte, com uma vitória e o pódio garantido. O placar final de 5 a 0 deu aquele gostinho de "puxa, dava pra ter chegado lá, mas não tem mais chance".


Em algum momento da vida esse garoto aprenderia que respeito pelo adversário é uma característica do vencedor. Coisas que somente uma Olimpíada poderia proporcionar. E foi a partir dali que essa importante lição foi aprendida. Uma tristeza que marcou positivamente no caráter dele.
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