sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

M1to

“Tudo que é bom dura pouco”. Começo essa crônica fazendo o que o M1to mais fez em todos esses anos de São Paulo: contrariar a lógica. Rogério Ceni desmitifica essa frase clichê dita por todos nós, em diversas situações da vida. Ele durou muito e contrariou ainda mais: afinal, qual a lógica existente quando o goleiro está na galeria dos 10 maiores goleadores de um clube?!

Que falta – usando o trocadilho da palavra – fará este, que é o maior ídolo da história de um dos maiores clubes do Brasil e do Mundo, amado por uma nação tricolor e odiado pela maioria dos torcedores de outras equipes. Eu os entendo, deve ser difícil para qualquer adversário ter que engolir, nos tempos de hoje, um jogador de futebol que realmente honra e tem amor à camisa do clube. Um jogador que, por diversas vezes, quando no auge da sua carreira, foi preterido por treinadores de seleção brasileira, todavia pouco se importou, ele dizia: “minha seleção e meu coração é um escudo de cinco pontas nas cores vermelho, branco e preto”. Por fim, talvez, também incomode por se mostrar um estudioso do esporte, ter argumentos concretos, um intelecto privilegiado e fugir das entrevistas batidas da boleirada, a ponto de ser taxado como arrogante ou “chato pra car#!*%”.

Seria pouco considerar este cidadão apenas como um ídolo. Rogério Ceni alcançou um patamar acima deste e criou a distinção entre ídolo e Mito. Como todos sabem, um M1TO não se torna um M1TO à toa, por feitos comuns. Tal reverência deve ser feita a quem foge da normalidade de um ídolo. Um ídolo comum é assim considerado por títulos e identificação com um clube. O mito, além de títulos e identificação, atua por 25 anos no mesmo clube, quebra TODOS os recordes individuais possíveis para um jogador de futebol e cria o diferencial (além das “míticas” defesas praticadas ao longo de todos esses anos): marca CENTO E TRINTA E UM GOLS na carreira como GOLEIRO - sendo o centésimo tento deste feito em seu maior rival!


Será doloroso, a partir de 2016, olhar para a meta tricolor e não ver Rogério Ceni, será difícil ver a tarja de capitão nos braços de outro. Chega a ser inimaginável aceitar que nunca mais veremos o seu nome na escalação dos 11 titulares do São Paulo. Dentro das quatro linhas é uma perda comparada à morte, já que Rogério Ceni é INSUBTITUÍVEL, é ÚNICO. Mas tenho certeza que nos bastidores terá as mesmas glórias e importância para o nosso São Paulo Futebol Clube.

A nós, súditos de um Mito, bastará lembrar de todas as suas conquistas, ensinamentos e feitos, e dizer: “EU VI o maior ídolo do meu time jogar!”. Falar com o peito inflado de orgulho: “O meu maior ídolo era como eu: torcedor do meu time de coração!” MUITO obrigado por tudo, Ícone!

Todos tiveram, têm e terão goleiros, mas só nós, são-paulinos, temos ROGÉRIO CENI.

* Texto de Mateus Marchiote.
Mateus é São Paulino, goleiro nas peladas que joga e chamado de Mateus Ceni, além de vocalista do Grupo Alquimia

* Supervisão de texto: Heitor Luique
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