quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Há 15 anos, um 'Manezinho' se colocava no topo do mundo

Maior tenista do Brasil em toda a história, Gustavo Kuerten atingiu o topo ranking e realizou o principal feito da carreira há exatamente 15 anos, em 3 de dezembro de 2000, quando venceu a Masters Cup – atualmente conhecida como ATP Finals – em Lisboa. Guga desbancou algumas das lendas do esporte e garantiu o primeiro lugar no ranking divulgado no dia seguinte.

Ser campeão do Finals, torneio que reúne os oito melhores do circuito na temporada, já é um grande feito. Chegar ao degrau mais alto da lista da ATP, algo maior ainda. Mas o que Guga fez na capital portuguesa naquela semana foi algo para ser lembrado e reverenciado para sempre. É uma jornada que merece ser assistida novamente com frequência e aplaudida toda vez que for recordada

Aliás, fica minha dica para o Sportv: por que não reprisar na íntegra as partidas do ídolo até a conquista desse título?

Como qualquer pessoa que tenha o mínimo interesse por esporte de uma forma geral sabe, Guga era especialista no saibro. Foi nessa superfície em que obteve os três troféus de Grand Slam de sua galeria, em Roland Garros, e 14 dos 20 títulos de sua trajetória como profissional.

A Masters Cup, porém, foi realizada em quadra sintética e indoor, e o catarinense nunca tinha sido campeão nessas condições até então. Depois, voltou a ser apenas uma vez, em São Petersburgo, em 2003.

Kuerten aterrissou em Lisboa para os confrontos no Pavilhão Atlântico em desvantagem na disputa para terminar o ano como líder do ranking. Quem estava na frente era o russo Marat Safin, que teria de ser eliminado até as semifinais para que o ‘Manezinho da Ilha’ alcançasse a ponta. O que aconteceria desde que ele ficasse com o título.

A campanha já começou com pedreira. Guga até venceu o primeiro set sobre o americano André Agassi, mas acabou sucumbindo ao nervosismo, às dores nas costas e à força do adversário e perdeu por 2 a 1, com parciais de 6–4, 4–6 e 3–6.

Houve quem apontasse o brasileiro como dúvida para a sequência do torneio, mas ele seguiu em frente e obteve duas vitórias por 2 sets a 0, contra o freguês sueco Magnus Norman (7–5 e 6–3) e o “adversário da sorte”, o russo Yevgeny Kafelnikov (6-3 e 6-4), derrotado por Guga nas quartas de final nas três campanhas vitoriosas no saibro parisiense.

Nas semifinais, Guga entrou em quadra para enfrentar o americano Pete Sampras já ciente da eliminação de Safin para Agassi. Com isso, o sonho de ser número 1 do mundo estava vivo. Kuerten começou mal, mas buscou uma linda virada, com parciais de 6-7(5), 6-3 e 6-4.

Faltava bater Agassi, algoz na primeira fase. O troco, o título, a liderança do ranking e o feito de ter sido o único a derrotar Sampras e Agassi na mesma competição vieram com a que foi para muitos a maior atuação da carreira de Guga. Triplo 6-4, com uma devolução para fora do adversário no match point.

Foi a primeira das três vezes em que o catarinense se colocou na liderança. Safin a recuperou em janeiro, mas Kuerten voltou no mês seguinte para mais cinco semanas na ponta. O russo o tirou por mais 20 dias, mas depois o ‘Manezinho’ a ocupou até 19 de novembro, quando foi ultrapassado pelo australiano Lleyton Hewitt, que fechou o ano de 2001 à frente. Guga ficou em segundo.

Foi nesse ano que o melhor tenista da história do Brasil começou a sentir dores no quadril. Os problemas físicos o impediram de continuar competindo em alto nível, e restou aos fãs e ao próprio atleta imaginar como teria sido com seu corpo saudável por mais tempo.

Mais algum título de Ronald Garros seria conquistado? Veríamos o duelo dos sonhos entre Guga e o espanhol Rafael Nadal? Ele iria mais longe no US Open e em Wimbledon, onde parou nas quartas em 1999 e, no caso de Nova York, também em 2001?

Desde o fim da ’Era Guga’, o torcedor brasileiro não tem visto grandes resultados em simples. O único a ter sido campeão em torneios ATP foi Thomaz Bellucci, com quatro conquistas. Entre as mulheres, Teliana Pereira brilhou com os troféus de Bogotá e Florianópolis neste ano.

Nas duplas, no entanto, os resultados têm sido empolgantes. Bruno Soares chegou a ser terceiro colocado do ranking, atrás apenas dos irmãos Bob e Mike Bryan, e a lista agora é liderada por Marcelo Melo, que em 2015 repetiu Kuerten e, ao lado do croata Ivan Dodig, venceu Roland Garros.

* por Douglas Rocha
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