quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Depressão pós-doping

Fala galera! No dia 23 de junho desse ano tive o prazer de estar presente em uma palestra ministrada pelo atual vice-presidente do Fluminense Football Club, Dr. Mário Bittencourt. Após a palestra, esperei as pessoas saírem e fui até ele, e como curioso que sou, tirei algumas dúvidas e batemos um papo rápido e produtivo. Um dos assuntos abordados nesse dia dizia respeito ao promissor atacante do Fluminense, Michael.

O jovem atacante foi punido em 2013 após testar positivo para cocaína. Entre depressões, recursos ao CAS e treinos, Michael ficou mais de 2 anos sem poder entrar em campo. A pena acabou no último dia 31 de agosto, mas desde que Eduardo Baptista assumiu o Flu, o jogador não foi sequer relacionado para o banco de reservas (com Enderson Moreira ficou no banco durante a partida contra o Corinthians) e pediu para rescindir o contrato, pedido aceito pelo Flu.

Casos como o de Michael são constantes no futebol, o que assusta é a situação do garoto, hoje com 22 anos.


Nascido em São Francisco Sales, cidade mineira com pouco menos de 6 mil habitantes e que faz divisa com o estado de São Paulo, o jovem foi tentar a sorte nos juniores do Rio Preto. Com bom desempenho, chamou a atenção do time das Laranjeiras e foi parar no Rio de Janeiro em 2011, com apenas 18 anos. Em 2012 já estava integrado aos profissionais do clube.

Suas boas atuações chamaram a atenção de Abel Braga, então treinador do tricolor, e com isso ele ganhou a titularidade durante o Carioca de 2013. Com boas jogadas e gols, Michael caiu nas graças da torcida, e segundo Mário Bittencourt, foi justamente isso que fez com que sua vida mudasse de rumo.

Após a vitória por 3x1 contra o Macaé, em São Januário, jogo em que o atacante fez os 3 gols de seu time, Michael foi festejar com "amigos" e os mesmos lhe incentivaram a usar a droga, dizendo que o efeito era rápido e não ficava no organismo, ou seja, não havia risco de ser pego no anti-doping.

Ledo engano... 10 dias depois o jogador é sorteado para o exame após a partida contra o Resende e dali em diante o seu futuro promissor se torna uma dor de cabeça para o clube e para a família. O resultado disso tudo nós já conhecemos, e o objetivo do texto de hoje é analisar a situação social que o futebol é inserido e como essas penas podem ser amenizadas para o benefício do ser humano.

Michael é de família humilde, mudou sozinho para o Rio, caiu na "pegadinha do malandro" e não pisou mais no campo. Passou por tratamento psiquiátrico, psicológico, foi internado em clínica de reabilitação. Durante os 2 anos fora do campo, o clube das Laranjeiras deu todo o suporte que o jogador necessitava para se recuperar, ofereceu para que o atleta continuasse treinando com o grupo, era importante para a reintegração dele, ele não quis. Preferiu treinar sozinho.

Igual ao Michael, muitos outros estão por aí, a maioria em times de menor porte e que passam despercebidos pelas manchetes dos jornais e sites Brasil afora. Será que em um caso como esse não seria interessante uma pena alternativa visando a reintegração do indivíduo? Será que nunca o bom senso será levado em conta nesses julgamentos?

Enquanto não mudar, continuaremos perdendo, e não estou falando de jogadores, estou falando de seres humanos.

Fui!
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