quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Fim de Férias

E enfim a ultima parte da viagem e com certeza a melhor e mais grandiosa, em Portugal e principalmente na Espanha.

Na terra do bacalhau desembarquei na semana do segundo jogo de classificação para a Liga dos Campeões. O Sporting iria jogar na Russia e bastava apenas um empate. A classificação valeria mais ou menos uns 10 milhões de euros no orçamento anual da equipe portuguesa. Apesar da importância do jogo e da ênfase financeira dada pelos jornalistas, particularmente não vi muita mobilização na cidade de Lisboa. Fiz questão de ir assistir o jogo em um bar, porem não havia torcedores do time local. Os poucos que se importaram em prestar atenção a tv certamente eram torcedores do Benfica e torciam fervorosamente pelo time de Moscou. No fim, o Sporting não se classificou, ficou sem a vaga e sem a grana. Indo pra casa, ouvi ao longe o que parecia ser uma comemoração, e da sacada do hotel consegui ver torcedores do Benfica a comemorar. Impressionante a rivalidade, tal como aqui, ver o time rival se dar mal é tão importante quanto a vitória do seu
time do coração.

No Porto, pude perceber a mesma coisa entre o FC Porto e o Boavista. Conversando com torcedores locais, percebi a alegria em denegrir o rival local. Chegou a ser engraçado. Obvio o FC Porto é muito maior, e por isso também nutre a rivalidade com o grande de Lisboa pra ser o principal do país. Lá conheci os estádios dos dois clubes e ainda almocei em um restaurante dentro do estádio do Boavista. Vista panorâmica para o gramado, estádio menor que o do seu rival local, porem digo que a maioria dos clubes daqui da primeira divisão não tem um estádio igual, não em tamanho, mas em organização, limpeza e beleza. As panteras, símbolo do clube, em um monumento na frente do campo são impressionantes.

Ainda em Portugal, na cidade do Porto também pude constatar um situação que pensei está a acontecer apenas por aqui, com a nossa seleção. Era um jogo que valia a classificação da seleção local para a Eurocopa do ano que vem na França. Apesar da importância do jogo, apenas o noticiário dava a devida importância. Também fui assistir em um bar. Apenas o dono do estabelecimento, um senhor de idade, torcia. E como torcia. Torci junto e no final a seleção fez no ultimo minuto e praticamente se classificou. No final conversamos um pouco, torcedor do Porto, claro que falou mal do Boavista e ainda chamou o ex-atacante Jardel, artilheiro do Porto e da Europa de "sem cabeça". Contou alguns casos impublicáveis. Não tem como saber a veracidade, mas me diverti um pouco com os "causos".

Quando cheguei na Espanha, primeiro em Sevilha era domingo e dia de jogo entre o Sevilha e Atletico de Madrid. Tentei comprar ingresso, mas 100 euros por cada bilhete me desanimaram. Para minha sorte, não fui, pois como de costume sempre vou para a torcida da cidade, e neste dia o Sevilha foi atropelado pelo time de Simeone, 3x0. Mesmo não tendo o ingresso, fui ao estádio na hora do jogo, uma organização de dar inveja. Na parede de entrada tem azulejos com o escudo de alguns clubes mundiais. Foi a única vez que vi o futebol de lá se referindo a qualquer coisa do Brasil. O escudo do Santos de Pelé era o único brasileiro.


Já em Madri conheci o Vicente Calderón, do Atlético e o Santiago Bernabeu, do Real. Não tinha jogos dos clubes nestas datas devido as datas FIFA. La os clubes não jogam em simultâneo com as seleções. O campo do Real valeria uma resenha inteira, pois me fez pensar em muitas coisas e claro, como as coisas aqui estão erradas. O que mais pensei: "Como um clube igual ao Flamengo não tem um estádio próprio como o Bernabeu". Outro exemplo: Em 1930, o Campo de Chamartin (hoje Santiago Bernabeu), era do tamanho de São Januário, na verdade ate menor. Porem, década a década o estádio foi sofrendo melhorias, reformas, ampliações e hoje da goleada no velho "SaumJanu", verdade seja dita. Apesar de charmoso, o estádio não condiz com o tamanho do Vasco. Também doeu ver a taça que o Real ganhou do Vasco na final interclubes de 98. Fazer o que? Mas chega a ser ridículo, fiquei pensando que eles é que tiveram Pelé, que foram eles os primeiros a
serem pentacampeões. A grandiosidade impressiona muito, so vendo ao vivo. Para quem gosta de futebol, recomendo conhecer.

E assim passei as minhas férias, entre países, estádios e clubes. Lembra quando lá em Montevideo achei dentro do Centenario uma bola com o símbolo do Arsenal da Inglaterra? Pois é. Aqui mesmo neste texto disse que em Sevilha a única vez que vi qualquer coisa de referencia ao futebol do Brasil foi o escudo do Santos no estádio do Sevilha. Cada vez mais eles estão a se desenvolver, a procurar novos mercados, se abrindo mais. Aqui estamos cada vez mais fechados, e a única interação que procuramos ter com o mundo global do futebol se dá, com a vontade que os clubes brasileiros tem de ganhar o mundial de clubes. Não vi nenhuma camisa de time brasileiro lá. Quantas dos clubes europeus você ve em nossas ruas? Fica a pergunta. A organização é a chave e a grande diferença. Tomara que consigamos mudar e nos organizar melhor. Para o nosso bem.

Diego Ribas
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