quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Que futuro teremos?

A equipe de vôlei da UFJF contará pela primeira vez na história com atletas de outras nacionalidades em seu elenco, um deles é o brasileiro naturalizado inglês, Mark Plotyczer, ponteiro de 28 anos. Mark é nascido no Rio de Janeiro, filho de um inglês, e chega a Juiz de Fora para disputar sua primeira Superliga, o seu principal objetivo é aparecer para o mercado brasileiro, já que mora na Europa desde os 19 anos. Com a experiência de ter disputado os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, o jogador tem a chancela para comandar o jovem time mineiro na disputa do estadual e do nacional.

Quando falamos de Olimpíadas, o "legado" ganha força nas manchetes, e em se tratando de Brasil, um país que tem cheiro de pólvora, temos que lembrar das melhorias urbanas e esportivas. Sempre cito que a Espanha evoluiu muito de 1992 pra cá e que a China se preparou para virar potência olímpica de 2008 em diante, mas costumo ignorar a qual custo isso aconteceu.

Será que o legado ficará?
No caso da Espanha, uma grave crise econômica se instaurou e os resultados que ficaram 20 anos depois são praticamente nos esportes individuais (automobilismo, motovelocidade, tênis,...), salvo o futebol, que teve sua fase áurea recentemente. Já a evolução chinesa também teve sua maximização em um período de alta econômica, construiu ginásios e estádios fabulosos e deixou para o futuro uma base que pode render frutos, ainda mais em se tratando de um país continental. E Londres?


Foi exatamente sobre a evolução esportiva, e porque não, econômica, já que muitas pessoas são envolvidas nesses projetos, que Mark falou.. Ele explicou um pouco sobre o projeto olímpico do Reino Unido e também sobre o legado esportivo que ficou, e surpreendentemente a situação não foi boa:

- O projeto olímpico do vôlei, especificamente, durou seis anos. O esporte era totalmente amador, não existia jogador de vôlei lá, no Reino Unido inteiro. Começaram a recrutar alguns jogadores, alguns deles não sabiam jogar, e em seis anos eles atingiram um nível muito bom de competição. Aqui no Brasil eu acredito que tenha continuidade, ao contrário do que aconteceu no Reino Unido, esportes como o vôlei, handebol, water polo (pólo aquático), eles acabaram com esses esportes depois das Olimpíadas, a promessa de legado não existiu. É importante pensar no pós-Olimpíada também, porque tinha muita gente envolvida e que acabou ficando sem emprego, sem estrutura alguma, e foram seis anos dedicados a isso meio que em vão.

Mark durante os jogos de 2012
Também é possível notar que alguns esportes evoluem, apesar de menor estrutura e visibilidade, dentro de nosso país devido ao intercâmbio com outros países. O ponteiro da UFJF falou sobre a "mistureba" que era a comissão técnica da Seleção Olímpica do Reino Unido, tudo para buscar a maior evolução em um menor espaço de tempo:

- Tivemos vários treinadores de fora. O treinador principal era um holandês, o assistente um britânico mas que foi criado na Bélgica, o preparador físico era um neozelandês. É importante essa interação, é preciso sugar o que cada um tem de melhor, seja no water polo, na ginástica, no tênis de mesa com os orientais. Tem que buscar essas novas experiências, isso é muito importante.

Para mim ficou uma sensação estranha depois de tudo que ouvi do Mark. Ao mesmo tempo que sinto um atraso absurdo, já que estamos há um ano da competição, eu tenho a impressão de que podemos ter uma continuidade em boa parte das modalidades. As estruturas que serão erguidas podem servir para algo após os Jogos de 2016, ao contrário do que aconteceu com o Pan, pois o brasileiro pegou gosto pelo esporte, são três competições importantíssimas nos últimos 10 anos.

É claro que tudo isso é suposição, mas como estamos aqui justamente pra opinar, a minha está registrada.

E pra você? Seremos uma nova China? Uma nova Espanha? Outra Londres? Ou só vamos continuar reclamando sem mudar o rumo da nossa sociedade, seja pelo esporte, seja pelo trabalho, seja pela atitude?

Fui!
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