terça-feira, 7 de julho de 2015

Suspensão do efeito suspensivo

Fala galera! Corria o ano de 1997 e o Campeonato Brasileiro vivia um dos primeiros dramas das chamadas viradas de mesa. Com o “Caso Ivens Mendes” o Fluminense o Bragantino se mantinham na Série A do Brasileirão, e a fórmula de disputa mudava mais uma vez, o que não era novidade.
Entre os destaques da competição estavam o Vasco de Edmundo e Evair, o Palmeiras de Viola e Felipão, além de Inter, Flamengo, Atlético Mineiro e a Portuguesa que manteve a base do vice campeonato do ano anterior.

Nesse ano Edmundo arrebentou, quebrou o recorde de gols de Reinaldo que já durava 20 anos (29 x 28 gols) e ainda fez 6 em uma mesma partida, na vitória por 6x0 contra o União São João, em São Januário, detalhe que nessa partida ele ainda desperdiçou uma cobrança de pênalti.
Só que além do título do Vasco e dos grandes jogos que tivemos no campeonato, uma das grandes “mágicas” extra-campo ficou em evidência.

Vasco e Palmeiras disputariam a decisão em jogos de ida e volta, o time carioca jogava por dois resultados, já que teve a melhor campanha da competição. Edmundo, o craque, capitão e artilheiro, chegava pendurado com dois cartões amarelos, tomar  um cartão no primeiro jogo, que seria disputado no Morumbi, significava estar fora da grande decisão e todo cuidado e prevenção ainda seria pouco.

O "passo de balé", o cartão, o troféu ao lado do "mentor"...
Primeiro jogo começa e ainda no primeiro tempo acontece o que todos os vascaínos temiam, amarelo para o Animal. Mas poucos duvidavam da força e inteligência, mesmo que usada para o mal, de Eurico Miranda nos bastidores. Durante o intervalo ele foi ao vestiário da equipe cruzmaltina e ordenou: no final do jogo escolha um jogador qualquer do Palmeiras e mete a porrada, tem que ser na frente do juiz.

Pronto... o teatro estava armado... 37 do segundo tempo, Edmundo se aproxima de Cleber, zagueiro palmeirense, e lhe desfere um chute leve, mas passível de cartão amarelo. O juiz da partida, Antonio Pereira da Silva, tira o vermelho do bolso e tira o camisa 10 da partida. Ao contrário do que muitos imaginavam, era o que Eurico Miranda mais queria naquele momento.
Com o vermelho, automaticamente o cartão amarelo estava anulado, o que impediria a punição  pelo 3º cartão consequentemente e na época não existia suspensão automática de cartão vermelho, todos os casos eram julgados, e foi exatamente nisso que o mandatário da Colina pensou quando ordenou a agressão.

O julgamento aconteceu durante a semana, Edmundo foi absolvido por 6 votos a 1 e teve a sua agressão comparada a um passo de balé na opinião de um dos auditores do STJD à época, o vascaíno Paulo Elísio de Souza. O atleta foi multado em R$ 120,00 pela expulsão. Isso mesmo! CENTO E VINTE REAIS! Não está escrito errado não, não faltou nenhum zero na conta. Dessa forma ele jogaria a partida final no Maracanã, que também terminaria 0x0 como no primeiro jogo, e daria a volta olímpica que consagrou o melhor ano de sua carreira.


Em virtude desse caso as regras de suspensão por cartão vermelho foram alteradas, a partir de então todo vermelho daria ao atleta um jogo de suspensão independente de julgamento e sem direito a efeito suspensivo.

Por hoje é isso galera, em breve voltamos com mais casos que mostram como os regulamentos funcionam (ou não) no futebol.

Fui!
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