quarta-feira, 29 de julho de 2015

Para que serve?

 Os Jogos Panamericanos chegaram ao fim depois de semanas com boas disputas, bastante emoção e nomes que prometem ser destaque nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016. Também surgiram algumas polêmicas, e nesse caso eu vou me ater especificamente à matéria publicada pela revista Veja.

No dia 10 de julho, a revista estampou uma reportagem sob o título "Para que serve um Pan?", na qual Alexandre Salvador e Renata Lucchesi questionam o grau de importância do evento e a competitividade das modalidades. Na matéria, levantam pontos como a não participação de atletas renomados de algumas modalidades, apontando que existem outras competições com índices mais expressivos e com oferecimento de vagas para as Olimpíadas. Com uma infeliz declaração, a reportagem afirma que o momento mais memorável dos Jogos seria a apresentação do Cirque du Soleil (caso eles esperem uma resposta: sim, soa de forma muito arrogante essa declaração, além de ter sido muito errada).

Juliana dos Santos não parece indiferente com a medalha

Tentando desmerecer o Panamericano, a revista jogou várias informações desconexas e vagas, comportamento típico de quem não entendia do assunto sobre o qual escrevia. Em uma dessas acusações desesperadas, o periódico diz que, por terem vaga garantida em 2016 pelo Brasil ser país sede, várias modalidades veriam o desempenho no Pan como sendo indiferente.


Sinceramente, argumentos assim soam, no mínimo, estranhos. Ora, como uma equipe que tem pela frente uma Olimpíada em casa enxerga como indiferente o desempenho em uma competição continental??? Ou você, leitor do Resenha, acredita que algum dos 590 atletas que estiveram em Toronto foram a passeio? Ou que algum deles não se importava em competir para ser o melhor e escutar o Hino Nacional entoado?



O Handebol não pareceu confortável pela vaga garantida em 2016
Convenhamos, calendários absurdos prejudicam e muito o evento, como bem disse o Luiz Paulo no Papo 10 #17. Mas daí achar que o Jogos Panamericanos não têm serventia é abusar da inteligência de quem acompanha esportes, torce e percebe a evolução do Brasil em relação a competitividade. Assim, dizer que o maior medalhista olímpico Michael Phelps nunca participou do Pan e logo em seguida lembrar da participação de Mark Spitz (detentor do recorde antes de Phelps), João do Pulo e Carl Lewis demonstra que é necessário mais que relatos vagos para que haja informação de fato.

Feitos históricos como a vitória do basquete masculino em 1987 em Indianápolis e do feminino em 1991 em Havana não podem ser apagados da nossa memória. O salto de João do Pulo e as medalhas de Thiago Pereira não devem ser colocadas em um balaio de desempenhos indiferentes. Esperar que a "chuva de medalhas" se repita nas Olimpíadas seria o mesmo que esperar um título mundial do Chile (que venceu a Copa América em 2015) ou da Grécia (que já venceu a Eurocopa). Particularmente, não preciso de muito esforço para saber diferenciar o que é continental e o que é mundial.


Isaquias acabou caindo nas graças da Veja
Na última edição, a Veja ironicamente (ou não) publicou uma reportagem sobre Isaquias Queiroz da canoagem e diz que após os seus feitos do Panamericano podemos esperar bons resultados do atleta no Rio em 2016. De qualquer forma, isso não apaga a gafe cometida pela revista. A Rede Record, detentora dos direitos de transmissão, não ficou calada e publicou uma reportagem em defesa do Pan, intitulada "Para que serve a Veja?". É com essa indignação que termino esse post de hoje, torcendo para que o Pan continue sendo esse celeiro de heróis que mostram vitórias que vão muito além das medalhas.
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