segunda-feira, 13 de julho de 2015

O ídolo do meu ídolo

A saudade resolveu abraçar minha memória para narrar uma passagem emocionante em minha vida como torcedor.

Nos últimos anos de vida do meu maior ídolo dentro e fora de campo, perguntei ao meu pai quem era seu ídolo nos gramados. Confesso que esperava por nomes mundialmente consagrados como Pelé ou Rivelino, mas veio a surpresa com a resposta de uma única e desconhecida sílaba: Gil.

Não conheço, respondi ao meu grande ídolo. Decepcionado, mudamos logo de assunto.

O tempo passou, as conversas ficaram silenciosas, mas sempre presentes no coração. Cito um texto de Nelson Rodrigues para elucidar minha passagem:

“Eu já fiz um apelo aos tricolores, vivos ou mortos. Ninguém pode faltar ao Maracanã. Incluí os fantasmas na convocação, e explico: a morte não exime ninguém de seus deveres clubísticos.”

E lá estava, em casa, Maracanã, no dia 24 de Novembro de 2007, Fluminense 3 x 2 Juventude, pelo Campeonato Brasileiro. Mas o motivo da minha presença era a preliminar, o Time de Masters do Fluminense iria a campo e queria ver Rivellino e Assis juntos no ataque tricolor. Além deles, Ézio, Paulo Cesar Caju, Delei, Leomir, entre outros...

No fim do jogo, os saudosos ex-jogadores tiravam fotos e davam autógrafos. Rivelino era o mais assediado. Até que ouvi uma criança perguntar ao pai, Quem é aquele ali, pai?

- Gil, Búfalo Gil, respondeu ao seu filho.

Confesso que tremi, senti meu pai falando comigo, “Gil”... Tirei minha camisa tricolor aos prantos e arremessei-a ao ídolo do meu ídolo. Um autógrafo, por favor!!! Prontamente atendido, não cabia de emoção, alguns torcedores chegaram a me perguntar se eu estava bem, chorei igual a uma criança. O futebol me dava um presente do tamanho de um título inédito, a presença viva do meu eterno ídolo.


Gilberto Alves, o Gil ou Búfalo Gil, começou nas divisões de base do Cruzeiro, profissionalmente defendeu o Villa Nova e Comercial antes de se transferir para o Fluminense em 1973. Fez parte do grande time, a “Máquina Tricolor”. Em 1977 foi para o Botafogo, tendo ainda como destino o Corinthians, Coritiba, Múrcia, da Espanha, e no Farense, de Portugal. Ao fim da carreira treinou Botafogo, Avaí, Sport, Fortaleza, Alianza Lima e outras equipes.

Gil ficou conhecido pelos lançamentos de cinquenta metros ou mais que Roberto Rivellino lhe fazia, com ele correndo da ponta-direita em direção ao gol, sem ser alcançado por seus adversários e arrematando ao gol.

Além de veloz, Gil era muito forte e costumava ganhar no corpo a corpo dos defensores adversários, daí o apelido de Búfalo.

Pelo Fluminense, Gil disputou 172 partidas, fazendo 75 gols. Foi Campeão Carioca em 1975 e 1976 e do Torneio de Paris de Futebol em 1976.

Na Seleção Brasileira, fez 40 jogos, com 28 vitórias, 10 empates e apenas 2 derrotas, tendo marcado doze gols.




* Luiz Felipe Furtado
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