terça-feira, 9 de junho de 2015

Pagar o quê?

Hoje tem estreia no Resenha Esportiva! Chegou a vez do tricolor e amigo, Luiz Felipe Furtado, que já havia sido convidado inúmeras vezes para escrever para o blog e agora, finalmente, veio nos brindar com uma série em defesa da honra do Tricolor Carioca.

Hoje vocês ficam com a primeira das três partes! Agora é com você, Luiz!

Imagine você disputando uma vaga em um concurso público ou vestibular. Após investir seu tempo e dinheiro naquele objetivo você vai mal nas provas e fica uma posição abaixo do número de vagas. No dia seguinte, confirma-se que um dos candidatos aprovados foi pego colando ou não cumpriu as regras do concurso. O que você faria?

Diante dessa simples comparação eu pergunto mais uma vez... 

Pagar o quê?

Essa pergunta virou título de um livro-manifesto que servirá como uma espécie de código de defesa dos tricolores ante todas as leviandades despejadas contra o Fluminense, em resposta à maior bravata da história do futebol brasileiro, como descrevem os autores.

As polêmicas viradas de mesa, por ironia do destino, beneficiaram diversos clubes e prejudicaram outros tantos. Digo que o Tricolor das Laranjeiras estava no lugar errado na hora certa e foi beneficiado pela incompetência alheia.

Apresento a seguir os fatos que comprovam a injustiça sobre a fidalguia tricolor e mesmo sem ter a oportunidade de ler o livro mencionado acima, recomendo-o para os amigos das arquibancadas.

Caso Ivens Mendes

Em Maio de 1997, a mídia divulgou gravações de telefonemas que desvendariam um esquema de corrupção dentro da CBF envolvendo venda de resultados de jogos de futebol e financiamento de campanhas políticas. O pivô do caso foi Ivens Mendes, presidente da CONAF (Comissão Nacional de Arbitragem de Futebol), órgão encarregado de escalar árbitros para as competições de futebol organizadas pela CBF.

Numa das gravações, Mendes pedia 25 mil reais ao presidente do Atlético-PR, Mario Celso “Metralha”, digo, Petraglia, e ainda insinuava que o seu clube poderia ser beneficiado pela arbitragem no jogo contra o Vasco pela Copa do Brasil. O Atlético-PR ganhou por 3 a 1, tendo o árbitro Oscar Roberto de Godói expulsado o atacante Edmundo, do Vasco, de forma premeditada.

Em outra gravação, Mendes pedia ajuda financeira ao presidente do Corinthians, Alberto Dualib, o qual teria inclusive mencionado "um, zero, zero" (cem mil reais) como valor a ser pago.

No dia seguinte a divulgação das gravações, Ivens Mendes pediu afastamento de seu cargo na CONAF, declarando-se inocente no caso, mas alegando que sua família estava sofrendo ameaças.

Na Justiça Comum, o processo não foi adiante, já que os únicos indícios de crime foram apontados por gravações clandestinas, portanto ilegais. Os jornalistas responsáveis pelas gravações chegaram a ser indiciados.

O STJD baniu Ivens Mendes do futebol. Os dirigentes Mário Celso Petraglia e Alberto Dualib, presidentes de Atlético-PR e Corinthians respectivamente, foram impedidos de representar seus clubes perante a CBF. O Atlético-PR foi formalmente "suspenso por um ano", mas não deixou de participar de nenhuma competição em função disso. Apenas começou o Campeonato Brasileiro de 1997 com 5 pontos negativos, como punição por sua participação no caso.

Nos dois casos, o dinheiro seria utilizado na campanha de Ivens Mendes a Deputado Federal em 1998, por Minas Gerais.

Diante do escândalo, a CBF cancelou o rebaixamento de Fluminense e Bragantino, que haviam sido os últimos colocados no Campeonato Brasileiro de 1996 e, pelo menos em tese, deveriam disputar a Série B em 1997. A medida acabou desviando as atenções dos clubes envolvidos no esquema. Sem rebaixados, o Brasileirão de 1997 teve 26 clubes, dois a mais que nos anos anteriores.

Ivens Mendes morreu alguns anos depois do caso, e nós voltamos em breve com a continuação dessa série.
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