segunda-feira, 15 de junho de 2015

Pagar o quê? - Parte 2

Na semana passada contamos um pouco sobre a "virada de mesa" que aconteceu no Brasileirão de 1996, agora chegou vez de explicar porque surgiu a Copa João Havelange.

Começamos contando sobre o "Caso Sandro Hiroshi".

Logo na terceira rodada do Brasileirão de 1999, o São Paulo humilhou o Botafogo por 6 a 1 e, poucos dias depois, o alvinegro entrou com um pedido de anulação dessa partida, alegando que, em razão do bloqueio de seu passe (que estava em disputa entre o Tocantinópolis, clube que o revelou, e o Rio Branco de Americana, que o repassou ao São Paulo), o atacante Sandro Hiroshi teria atuado irregularmente. Esse pedido foi julgado pela Comissão Disciplinar do TJD em 19 de outubro. Com isso, a Comissão Disciplinar tirou do São Paulo os três pontos daquela goleada e entregou-os ao Botafogo. Acreditem!!!

O time paulista ainda recorreu ao TJD, alegando que havia dezenas de outros jogadores com o passe bloqueado e, consequentemente, em situação tão irregular quanto a de Sandro Hiroshi. Em julgamento realizado no dia 3 de novembro, porém, o TJD apenas ratificou a decisão da primeira instância.


Posteriormente, o Internacional também ganhou da Comissão Disciplinar os pontos do seu jogo contra o São Paulo, pelo mesmo motivo. Diferentemente do Botafogo, o Internacional ganhou apenas um ponto, pois havia empatado o jogo contra o São Paulo. Com esses pontos, o Botafogo terminou o campeonato com média de aproveitamento superior à do Gama e acabou salvo do rebaixamento à Série B. O Internacional se salvaria do rebaixamento à Série B, mesmo se não tivesse ganhado o ponto da partida contra o São Paulo.

No decorrer do imbróglio ainda descobriram que Sandro atuava há muito tempo com sua data de nascimento adulterada em documentos, o famoso "gato". Após a Comissão Disciplinar dar ao Botafogo os pontos do jogo contra o São Paulo, o jornal Folha de São Paulo passou a investigar a real situação do passe e da inscrição do atacante tricolor. Durante essa investigação, a Folha descobriu que o atleta havia adulterado sua idade e que jogava, desde 1994, com documentação falsa. Essa revelação foi publicada na Folha de 19 de outubro de 1999 e, logo em seguida, a CBF decretou a suspensão preventiva do jogador, até que a apuração dos fatos denunciados fosse efetuada e um julgamento fosse realizado. Esse julgamento aconteceu em 29 de novembro, e o atacante do São Paulo foi condenado a 180 dias longe dos gramados.

Porém, a única razão para o São Paulo ter perdido os pontos de seus jogos contra Internacional e Botafogo teria sido o bloqueio do passe de Sandro Hiroshi.

Por sua vez, o Gama, que não estaria entre os rebaixados se os resultados conquistados pelo São Paulo dentro de campo fossem mantidos, naturalmente não aceitou a situação e foi à Justiça Comum contra a CBF, que foi impedida de realizar o Campeonato Brasileiro do ano seguinte, sendo este organizado pelo Clube dos Treze e tendo o nome de Copa João Havelange.

A Copa João Havelange contou com o Gama e o Botafogo no módulo azul, que seria considerado a primeira divisão. Esse módulo também contou com a participação do Fluminense, América Mineiro e Bahia, que estavam na segunda divisão.
Comente via Blogger
Comente via Facebook
Comente via Google+

Nenhum comentário:

Postar um comentário

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...