quinta-feira, 11 de junho de 2015

Muito além do esporte - África do Sul 1995


O final dos anos 80 e início dos 90 não foram dos períodos mais tranquilo para a África do Sul. O país vivia a transição do fim do apartheid para a democracia livre, mas os reflexos do antigo regime ainda era latente na rotina dos cidadãos. Claras evidências de uma sociedade que se habituara com a injustiça e a segregação racial.

O apartheid, que literalmente significa “separação”, colocou o país dividido de 1948 e 1990. Basicamente, era a aplicação de um conjunto de várias leis que diferenciava pessoas colocando-as em quatro grupos distintos: os “brancos”, os “negros”, os “de cor” e os “indianos”. O primeiro grupo se destacava por dominar o acesso aos recursos do país, bem como o poder. Aos demais, cabiam a submissão, sendo que os negros eram subjugados em relação aos demais.

Essas leis fizeram com que o país fosse alvo de diversas sanções ao longo dos anos. As sanções vinham de todos os lados, fazendo com o que o país sofresse com embargos na economia, no turismo, energia e, claro, no esporte. A África do Sul ficou por muitos anos distante do cenário mundial devido aos atos provocados pela segregação. A abertura se deu a partir de 1990, quando o então presidente Frederik Willem de Klerk declarou que o apartheid havia fracassado e libertou Nelson Mandela da prisão após 27 anos.
Bandeira: caminhos diferentes
que se cruzam e seguem juntos


Assim, o país poderia novamente se unir a outros em competições esportivas. Participou dos Jogos Olímpicos de 1992, conquistando medalhas de prata nos 10.000 metros feminino e na competição masculina de duplas de tênis. Mas a eleição de Mandela em 1994 elevaria o esporte a outro patamar, sendo usado para integração nacional. O primeiro presidente eleito depois do antigo regime não tinha mais intenções de lutar, ele queria a união do país.

O ano era 1995. O esporte? Rugby. Sim, aquele esporte que ainda vai ser grande no nosso país. A África do Sul sediaria a Copa do Mundo daquele ano e não havia oportunidade melhor para colocar as pessoas para conversar. A modalidade sempre foi tida como preferencial dos brancos, contrapondo o futebol, que seria preferencial dos negros.

A Constituição era nova. O Hino Nacional era novo. Até a bandeira era nova. Era o momento de um sentimento novo também aflorar. O presidente negro que foi perseguido pelo apartheid agora dá apoio irrestrito ao esporte número um dos brancos. E mais: incentivava outros sulafricanos a se sentirem representados pela equipe.

O campeonato foi sofrido, principalmente após a primeira fase. Nas quartas-de-final a equipe bateu a Seleção de Samoa Oriental, com quatro tries de Chester Williams, o único negro do elenco, e que havia acabado de voltar de uma lesão que ameaçou a sua participação na competição. Nas semi-finais, um jogo duríssimo contra a França levou os Springboks à grande decisão contra os temidos neozelandeses. A partida só foi decidida na prorrogação, e terminou com a vitória da nova África do Sul.

O título mundial em casa coroou não só uma geração de atletas, mas criou o embrião de uma mensagem muito maior do que a disputa esportiva: “Somos todos iguais”. A façanha virou filme e foi para as telonas sem precisar de muitos retoques cinematográficos, já que a História em si se encarregou de dar a emoção.
Comente via Blogger
Comente via Facebook
Comente via Google+

Nenhum comentário:

Postar um comentário

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...