terça-feira, 5 de maio de 2015

Comentários

Oi! Será que ainda tem alguém aqui que se lembra de mim? Bom, estou dando um tempo na minha década sabática pra colocar em pauta novamente o nível dos comentários aos quais estamos expostos na televisão. Diante de uma quantidade tão grande de lixo verbal, não poderia ficar parado sem me expressar e colocar novamente esse assunto em debate.

Há algum tempo, fiz um levantamento daqueles que seriam os 5 piores comentaristas do jornalismo esportivo brasileiro. A repercussão foi positiva, e fiquei satisfeito com vários pontos de vista que surgiram, inclusive com ponderações de nomes adicionais para a lista.

Hoje não vou me prender no nível dos comentários em si, mas sim na forma como são colocados. Sabemos que a linguagem é de suma importância nos meios de comunicação de massa, que possuem o poder de influenciar hábitos e costumes. Sendo assim, um comentarista assume um papel um pouco além de apenas expressar opiniões. Sua função social chega ao ponto de referência, tomando um viés quase acadêmico, se considerarmos que suas posturas e ideias são copiadas por boa parte dos fãs do esporte bretão.

Eu me atinei para isso assistindo a alguns compactos da Seleção Brasileira na Copa de 1970. Acompanhando as narrações memoráreis de gols como o "Olha lá! Olha lá! Olha lá!", eu encontrei comentários de ninguém menos que Leônidas da Silva, o inventor da bicicleta (o chute, naturalmente).

Logo no início do primeiro compacto, o Brasil levara um gol da seleção da Tchecoslováquia (sim, pra quem não sabe, o Brasil começou a Copa de 1970 saindo atrás no placar, mesmo envolvendo no toque de bola). Mas o gol não assustou a Seleção Canarinho, que não mudou a maneira de jogar e continuou a pressionar. O lance seguinte à saída de bola foi um quase-gol, que mostrou como os brasileiros poderiam acreditar no time. O comentário de Leônidas foi o seguinte:

"Nós fomos surpreendidos com um gol belíssimo do atacante Petras, um dos grandes valores da representação tcheca, mas no cômputo geral nós temos pressionado muito mais, haja vista essa oportunidade desperdiçada pelo próprio Tostão."

Na hora, fiz questão de voltar o vídeo para ouvir novamente o comentário, carregado de um sotaque típico de radialistas. Então eu me lembrei da lista dos 5 "mais menos". Pensei na forma como se expressavam e me recordei de outros nomes em evidência da atualidade. O baixíssimo nível de comunicação dos comentaristas atuais chega a assustar quando comparo com um passado não muito distante. Depois disso tudo, só posso concluir que se depender da forma como nossos amigos da TV se dirigem a nós, a lista dos piores deveria ter tido, no mínimo, 23 convocados.
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