sábado, 21 de março de 2015

De falta em falta o Flamengo vence o Vasco

Fala galera! Como expliquei ontem, tivemos o texto do Bruno Guedes falando sobre alguns jogos entre Flamengo e Vasco, alguns que o marcaram. Hoje é a vez de um mulambo contar o seu lado da história, se é que o delegado vai me ouvir sem a presença de um advogado...

Vamos lá! Chegou a hora!

"Acho que todo bom flamenguista quando fala de Flamengo e Vasco vai direto ao gol do tri, o gol de Petkovic em 2001. É justo. Mas pra falar desse gol e da importância dele preciso voltar a 1999, na decisão do mesmo Campeonato Carioca.

O Vasco defendia o título e contava com um elenco de dar inveja com Mauro Galvão, Felipe, Ramon, Edmundo, Juninho Pernambucano e Donizete. O Flamengo vivia uma fase em que seu torcedor sentia a falta de um título importante, que não vinha desde 96, e também as conquistas do seu maior rival, que jorravam na torneira. O estadual era um pingo de esperança.

No primeiro jogo tudo igual, 1x1. O empate era do Vasco na segunda partida por ter a melhor campanha do campeonato. Essa foi a primeira vez na minha vida que juntei com amigos para fazer um churrasco e assistir a partida. No segundo tempo, aos 31, quando tudo parecia perdido, Rodrigo Mendes bate uma falta no cantinho e leva o troféu pra Gávea. Gol histórico!

Veio 2000 e novamente o Vasco era favorito, mas logo na primeira partida o Fla definiu pra onde a taça iria. Um 3x0 de respeito que praticamente impediu uma reviravolta no segundo jogo. Depois Tuta e Reinaldo garantiram o 2x1 e o bicampeonato, o grito de "vice de novo" começava a ecoar no Maracanã.

Mas 2001 começou do mesmo jeito que os anos anteriores, dessa vez com o Vasco imbatível e campeão brasileiro. Um time que tinha Euller, Viola, Juninho, Pedrinho e Helton e ainda tinha vencido a primeira partida por 2x1, ou seja, uma derrota pelo mesmo resultado acabaria com a zoação rubro-negra e daria a Eurico Miranda a glória.

Só que Flamengo e Vasco não tem favorito, não tem vencedor de véspera e tudo podia acontecer...

Lembro que resolvi ficar em casa, meus pais foram dormir, a tensão era grande, eu com meus 18 anos e minha irmã com 13 ficamos na sala vendo o jogo. Um copo do Coca-Cola a cada 10 minutos e o tempo passava muito rápido. Edilson fez de pênalti, só faltava um gol! Mas no finalzinho do primeiro tempo o Vasco empatou com Juninho Paulista, um banho de água fria pro segundo tempo. Era um ano jogado em 45 minutos.

A sorte é que logo no início o camisa 10 da Gávea, Petkovic, Pet para os íntimos e Pé de Couve para os rivais, fez linda jogada pela esquerda e deixou na cabeça do seu maior desafeto, o artilheiro daquele campeonato, o "capetinha" Edilson, era gol, era 2x1, mais uma vez bastava um gol.

O Vasco se aproveitava do contra-ataque com muita qualidade, as chances mais perigosas eram deles, dificilmente o Flamengo levaria esse título, mas flamenguista é bicho safado, é mulambo, não desiste nunca, e eu fiz o mesmo. Depois de receber uma ligação do meu amigo vascaíno Paulo Rogério, que já estava em êxtase comemorando o título do cruz-maltino, resolvi que dali em diante jogaria todas as energias possíveis para o Maracanã, dali em diante não tomaria mais Coca, água, nada, era só torcer.

Peguei a mesinha de centro da sala, coloquei na frente da televisão, peguei o telefone e puxei para o meu lado, sentei na mesa, e os últimos 20 minutos era ali que eu ficaria. Nesse meio tempo Beto, o cachaça, saiu do time, ele era uma das principais peças da engrenagem rubro-negra, além de jogador com bom potencial de chutes de longa distância.

O final se aproximava, mas a minha esperança não estava nem perto de acabar (quem viu Flamengo x Santo André comigo em 2004 sabe do que eu estou falando). 42 minutos, uma joga despretensiosa termina em falta para o Flamengo do lado direito do campo, uma distância significativamente grande para os jogadores que estavam em campo. Como falei, Beto tinha saído, não restavam muitas alternativas. O óbvio era que Petkovic colocasse a bola na área pra ver o que ia dar, mas não... o sérvio ajeitou, azeitou, amaciou, a torcida se inflamou, braços e mãos vibrando na arquibancada, a cena de Alessandro, que havia sido substituído por Maurinho, sentado no banco apreensivo é exatamente a melhor imagem desse momento, seja para flamenguistas, seja para vascaínos.

O juiz apita, o camisa 10 corre pra bola e chuta, a bola ruma pra fora, mesmo assim Helton salta em sua direção, mas o efeito que a pelota pega é impressionante e ela vai em direção ao ângulo, o único lugar impossível para o ótimo goleiro de São Januário. A bola entra, é gol, é tri...


Daí pra frente tudo acabou, telefone foi pra um canto, mesa pro outro, eu corria e pulava na sala (soquei a parede dezenas de vezes), de repente tive que procurar o telefone que já não sabia mais onde estava, afinal, agora era minha vez de ligar para o Paulo, e lembro perfeitamente da conversa (não, ele não atendeu o telefone). Liguei e seu irmão, tricolor, atendeu, eu pedi para chamá-lo, mas óbvio o recado era "ele não está em casa). Mas como falei, flamenguista é mulambo, não desiste nunca, com o apito final a primeira coisa que fiz foi correr até sua casa e pra minha surpresa ele realmente não estava... não estava normal... estava deitado escondido embaixo da cama, ali Petkovic entrava pra história, naquele exato momento eu consegui entender o que significava esse título para o lado rubro-negro do clássico, e dali pra frente eu nunca mais recebi uma ligação do Paulo antes do jogo terminar.

Dele não, mas recebi de outros em 2014, mas isso fica pra um próximo dia."

Por hoje é só! Bom clássico para todos, que vença o melhor e que a alegria e a zoação prevaleça após a partida, sem violência, tudo na base da amizade e do companheirismo, e é essa a mensagem final do Resenha Esportiva.

Mais uma vez agradeço ao Bruno pela ótima história de ontem. Valeu galera!

Fui!
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