quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Baêa

Fala galera! As primeiras recordações que tenho do esporte são do ano de 1987. Me lembro de alguns momentos do título do Flamengo, lembro de gols de Zico e Renato, e lembro bastante do título de Piquet na Fórmula 1. Mas é a partir de 1988 que minha paixão aumenta consideravelmente.

Nesse ano minha família se mudou para uma outra casa, já que a onde morávamos pertencia a meu avô, e ele estava retornando para a residência. Encontramos uma casa em um outro bairro da cidade (e isso pra mim não mudava nada, já que eu nem sabia o que isso significava). Só que com pouco tempo já entendi que as coisas seriam diferentes...

Bobô disputa bola na partida de volta
No bairro anterior eu não tinha muitos amigos, era um bairro central e as crianças não tinham muito onde brincar. Nesse bairro novo eu podia andar de bicicleta - até então eu não tinha tirado "as rodinhas" - jogar bola, descobri o que era futebol de botão e comprei meu primeiro álbum de figurinhas do Campeonato Brasileiro, ou como estava escrito na capa, da Copa União de 1988.

Junto com o álbum comecei a acompanhar mais de perto a competição, os times, os jogos, entender o formato, me apaixonar. E junto com todos esses sentimentos virei fã de um goleiro loirinho que jogava no Internacional, um tal de Taffarel. Acompanhei a campanha do Flamengo, meu time do coração, mas não deixei de lado a campanha do time vermelho do Sul, que o tal de Taffarel defendia. O campeonato daquele ano começou em setembro e só terminaria em fevereiro de 1989.

Naquele ano também também descobri que existiam mais de 4 times no Rio, já que América e Bangu (que contava com um tal de Ézio no ataque) jogavam a 1ª divisão, e esse foi exatamente o último suspiro dos dois clubes, rebaixados ao final da temporada.

Flamengo classificado para as oitavas, Inter também, tudo dava certo só que os dois teriam que se cruzar mais pra frente, como havia sido em 87... pra meu azar, ou sorte, não sei, o Flamengo caiu para o Grêmio e o Inter passou, e justamente na semifinal dessa temporada que tivemos o que até hoje é considerado o Grenal do século. Deu Inter, classificado para a final.

João Marcelo, Ronaldo, Paulo Rodrigues, Tarantini, Paulo Róbson e Claudir
Marquinhos, Bobô, Charles, Zé Carlos e Gil Sergipano
Do outro lado da chave apareceu um Bahia modesto, classificado graças ao Vasco, que faturou os dois turnos do Grupo B, abrindo uma vaga para que a equipe com o maior número de pontos ganhos - excluindo os 7 classificados - entrasse nas oitavas. Passou pelo Sport, campeão do módulo amarelo em 87, e venceu o Flu na semifinal, voltando a uma decisão de torneio nacional depois de 29 anos.

No primeiro jogo disputado em Salvador, Leomir fez 1x0 para o Inter. Pronto... não tinha mais o que discutir, Taffarel não levaria gol e o Inter seria tetracampeão brasileiro. Mas um baianinho de barba e cara de sono tratou de me contradizer... Bobô empataria o jogo ainda no primeiro tempo e logo no início do segundo marcou o gol da virada. Até o fim da partida nada alterou e o Inter, que jogava por dois empates, agora teria que vencer no Beira Rio.

Para o jogo de volta eu tinha apenas uma certeza, Taffarel não sofreria gol, ele era o melhor. Mas do outro lado tinha Ronaldo, que defenderia até pensamento. Não importava se os chutes eram de Maurício, Nilson ou Luis Fernando, a bola não entraria mais...

Fim de jogo, fim de campeonato, o Bahia se tornou o campeão brasileiro de 1988 e fez história, como o único clube baiano a vencer um torneio de âmbito nacional, feito que nunca mais se repetiu até os dias atuais.

1º jogo - Bahia 2 x 1 Internacional
15/02/89
Fonte Nova, Salvador/BA
Público: 90.508
Ábitro: Romualdo Arpi Filho

Gols
Leomir - 19'
Bobô - 36'
Bobô - 50'

Bahia: Ronaldo; Tarantini, João Marcelo, Claudir e Edinho; Paulo Rodrigues, Zé Carlos e Bobô; Osmar, Charles (Sandro) e Marquinhos. Técnico: Evaristo de Macedo.

Internacional: Taffarel; Luís Carlos Winck (Diego Aguirre), Aguirregaray, Nenê e João Luís; Norberto, Luís Carlos Martins e Leomir; Maurício (Heider), Nílson e Edu. Técnico: Abel Braga.


2º jogo - Internacional 0 x 0 Bahia
19/02/1989
Beira Rio, Porto Alegre/RS
Público: 79.598
Ábitro: Dulcídio Wanderley Boschillia

Internacional: Taffarel; Luiz Carlos Winck, Aguirregaray, Norton e Casemiro; Norberto, Luis Fernando e Luís Carlos Martins; Maurício (Heider), Nílson e Edu. Técnico: Abel Braga.

Bahia: Ronaldo; Tarantini, João Marcelo, Claudir (Newmar) e Paulo Róbson; Paulo Rodrigues, Zé Carlos e Bobô (Osmar); Gil Sergipano, Charles e Marquinhos. Técnico: Evaristo de Macedo.
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