sábado, 4 de outubro de 2014

Lauda, a razão x Hunt, a emoção

Fala galera! Há um tempo que na minha lista de posts para o blog está o GP do Japão de 1976, mas como precisava de mais informações para enfeitar o texto e o tempo estava curto, fui adiando... só que no último fim de semana tive o prazer de ver o filme Rush - no limite da emoção, que conta a história do duelo entre James Hunt e Niki Lauda, duelo esse que ficou marcado pelas temporadas de 75 e 76 de Fórmula 1, e foi então que peguei o resto das informações que precisava.

A história começa na Fórmula 3, competição que James Hunt dominava até aparecer um austríaco franzino, com cara de rato, chamado Niki Lauda. Daí em diante criou-se uma rivalidade que foi parar na Fórmula 1 a partir de 1973.

Em 75 Lauda venceu seu primeiro mundial pilotando uma Ferrari, uma das grandes equipes da época, em um carro que ele desenvolveu ao lado de seus mecânicos. Grande acertador de carros, o austríaco conseguiu na época reduzir praticamente dois segundos por volta no bólido, transformando-o em uma máquina. Enquanto isso James penava com a pequena Hesketh e mesmo assim conseguiria terminar o ano com a 4ª colocação geral, somando uma vitória.
Lauda e Hunt, antes e depois do acidente

Com contrato firmado para 76 com a McLaren, no lugar de Emerson Fittipaldi, que fechava com a sua equipe, a Copersucar, Hunt reviveria a grande rivalidade com Lauda, ainda na Ferrari. Era o duelo do ano, não haviam dúvidas.

Só que Lauda tratou de definir o campeonato logo cedo, com 4 vitórias e 2 segundos lugares - um deles na Espanha após reversão de pena da McLaren de Hunt, que havia sido excluída da etapa por estar fora das especificações - a vantagem para o segundo colocado era enorme, nada poderia lhe tirar o bicampeonato, nada dentro da normalidade...

A etapa de Nurburgring, na Alemanha, 10ª etapa da temporada, foi marcada por uma forte chuva. Antes da prova em reunião dos pilotos com a direção do GP, Lauda opinou de que a etapa não deveria acontecer, as condições eram mínimas para a realização da corrida, mas Hunt, achando que seria um artifício do austríaco para diminuir os pontos possíveis até o fim do campeonato, forçou a barra para que a prova acontecesse.

Largando na terceira posição, Lauda parte em busca das primeiras posições, mas perde o controle do carro e roda, batendo forte na barreira de proteção. Voltando pra pista sem controle ainda sofre duas batidas de carros que passavam e não conseguiram desviar. Com o impacto seu carro explode, pegando fogo, o piloto fica preso nas ferragens e mesmo com o auxílio de outros pilotos demora a sair do bólido. A situação era crítica, os ferimentos eram graves. No hospital chega a receber a extrema unção de um padre, não tinha mais saída.

Mas Niki se recuperou, com muita garra voltou às pistas duas etapas depois, na Itália, e mesmo com baixa performance devido às queimaduras por todo o rosto, foi marcando pontos importantes para vencer a competição.

Veio o GP do Japão, última etapa do ano, Lauda ainda estava 3 pontos à frente de Hunt. Dificilmente perderia o título. Mais uma vez uma chuva torrencial marcaria o GP, só que dessa vez o final seria diferente...

Novamente largando em terceiro, Lauda precisava apenas manter a diferença para Hunt e levaria o título. Só que na segunda volta da prova sua Ferrari entra nos boxes. Mecânicos, dirigentes e torcedores ficam na expectativa, o que teria acontecido com o carro tão cedo?

Lauda relaxa, Hunt extravasa
Cigarro, bebida e mulheres, essa era sua vida
Nada... Niki Lauda simplesmente abandona a prova... ele que há 2 meses e meio havia ficado entre a vida e a morte já poderia ser considerado um vencedor de voltar a correr. O título seria consequência, mas o austríaco preferiu não se arriscar naquelas condições. O abandono soou como um sinal de protesto pelo ocorrido na Alemanha, e só lhe restava torcer para que James Hunt não chegasse entre os 4 primeiros...

Só que o inglês era destemido, e mesmo parando nos boxes nas voltas finais, ainda arrumou algumas ultrapassagens para fechar a etapa em 3º e conquistar o seu primeiro e único título. Lauda não se decepcionou, ele trocou seu segundo campeonato por sua vida, e a recompensa viria depois com o êxito nas temporadas de 1977 e 1984, já na McLaren.

Para James Hunt foi o momento de glória, ele que nunca foi racional, sempre foi um piloto de vida conturbada, sempre com bebedeiras, farras e mulheres, resolveu que seu objetivo estava cumprido e dali em diante perdeu rendimento, vencendo apenas mais 3 etapas até o fim de sua carreira, 3 anos depois.

O inglês veio a falecer em 1993, aos 45 anos, vítima de um ataque cardíaco. Lauda encerrou a carreira em 1985, hoje tem 65 anos e é o presidente não-executivo da Mercedes na Fórmula 1, a equipe sensação do ano.

O duelo está na história, e nada vai apagar, ainda mais depois do lançamento do filme...

Fui!
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