quarta-feira, 13 de agosto de 2014

A precariedade da base brasileira

Fala galera! A discussão em torno da formação de novos talentos no futebol entra em voga em virtude do acesso que o esporte tem na sociedade brasileira. Vivemos o futebo, respiramos os gramados, mas analisando de uma forma mais racional é possível notar que essa é apenas uma das arestas que o esporte brasileiro precisa aparar.

Prova disso é o que acontece com o time de vôlei feminino infanto-juvenil (meninas entre 16 e 17 anos) do Sport Club, da cidade mineira de Juiz de Fora, uma cidade com história no voleibol nacional. Terra de Giovane Gávio, André Nascimento e Márcia Fu, que foi campeã mineira adulto em 1986, atuando pelo mesmo Sport, e vencendo o poderoso Minas na decisão.

Jogadoras recebem instruções do treinador
Campeãs das duas primeiras fases do JIMI 2014 (Jogos do Interior de Minas), onde disputaram na categoria adulta, além de ter vencido os Jogos da Mantiqueira, a Copa Sesc e a Taça Rio-Minas, essas na infanto-juvenil, as meninas não conseguem patrocínio para a continuidade do trabalho.


Com o Campeonato Estadual e a Taça Paraná ainda no calendário de 2014, além da fase final do JIMI, as meninas buscam alternativas para “bancar” hospedagem, alimentação e translado para as competições. Para o Estadual elas calculam um gasto aproximado de R$ 4 mil, por exemplo.

A solução paliativa encontrada para atingir tal receita foi usar outro tipo de receita, a de doces.

Com a ajuda das mães elas passaram a fazer brigadeiros, cajuzinhos e outros quitutes e saíram às ruas da cidade vendendo. A cada doce vendido o sonho de disputar o Mineiro fica mais próximo.

Geração campeã mineira em 1986 pelo Sport Club
A última da esquerda pra direita é Márcia Fu
Vendidos a R$ 2,00 cada um, elas precisam repassar ao menos duas mil unidades para custear as despesas com o estadual, mas elas não param por aí, já falaram que se preciso for, o cardápio pode ganhar outros itens como massas e até mesmo rifas, até porque a viagem para Curitiba, para a disputa da Taça Paraná, uma das maiores vitrines do vôlei de base no país, é um pouco mais “pesada”.

No próximo sábado as meninas enfrentam o Botafogo, do Rio de Janeiro, e para esse amistoso elas tiveram que arrecadar cerca de R$ 1.300,00 para as despesas do time adversário. É uma praxe do esporte amador, onde a equipe da casa arca com as despesas do visitante.

A partida está marcada para as 17 horas no Ginásio Francisco Queiroz Caputo, no Sport Club Juiz de Fora, e a entrada é franca. O Resenha Esportiva estará presente acompanhando o desenrolar dessa história.

Esse exemplo percorre todo o Brasil, não é exclusividade das meninas de Juiz de Fora e muito menos do esporte amador. Estamos com problemas estruturais em toda as esfera esportiva, desde o clube mais rico até o mais humilde.

Nossos dirigentes são obsoletos e ultrapassados, e usamos o vôlei como base justamente por entender que é um esporte onde as pessoas pensam que há organização. Não há!

Confederações cada dia mais ricas, cartolas morando em mansão, e jovens largando o sonho por falta de estrutura...

Fui!
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