segunda-feira, 21 de julho de 2014

Resenha Entrevista - Bruno Guedes - Parte 2

Fala galera! Gostaram do papo quetivemos com Bruno Guedes na última sexta-feira? Hoje tem a segunda parte da entrevista! Bruno é jornalista da Agência Efe, "toca" o blog Quatro Linhas e ainda é colunista do ESPN FC.

Hoje vamos falar sobre Seleção Brasileira e sobre o Bom Senso FC.

Confiram!

Resenha Entrevista - Você esteve na Granja Comary, acompanhou os treinamentos da seleção. Acredita que com os 23 jogadores que estavam era possível um resultado melhor no Mundial?
Credenciado para a Copa de 2014
Bruno Guedes - Acredito. O problema para mim não foi o grupo. A seleção poderia até terminar na quarta posição, mas sem esses dois resultados finais, tomando 10 gols em dois jogos. Individualmente, o grupo formado era bom, tinha mostrado bom desempenho atuando juntos. Apesar de grande desafio, e da força da seleção alemã, que veio com intuito de tomar de assalto o futebol mundial, poderia ter até ter sido campeã, principalmente por contar com o fator "casa".

RE - Em quais pontos você acredita que a nossa seleção pecou mais? incluíndo fase de preparação e partidas.
BG - É um conjunto extenso de coisas. Dormir nos louros da Copa das Confederações foi grave. A sensação é que terminado o jogo contra a Espanha, Luiz Felipe Scolari decidiu que aquela seria a base da Copa do Mundo, não importasse o que os principais jogadores passassem e nem o que outros jogassem. Fred caiu muito de produção, Paulinho vivia má fase, Bernard passou um ano atuando muito pouco, Julio César - que não comprometeu, diga-se de passagem - foi para a MLS, e nada abalou a fé de Felipão. Antes da convocação final foi realizado um só amistoso, acho que o técnico quis assim para impedir que alguém se destacasse fora do grupo. Aí se perdeu a chance de ver o rendimento de Rafinha, Miranda, Philipe Coutinho, jogadores que estavam em momento melhor do que atletas que fizeram parte da seleção na Copa.
Além disso, o título da Alemanha aumenta a impressão de que a preparação do Brasil foi muito ruim, mas não acho que treinar na Granja Comary, realizar todos os treinos abertos tenha sido o maior problema. Afinal, o ruim foi não treinar em diversos momentos. Claro que há estudos que mostram que o jogador precisa de período de recuperação após os jogos, mas antes do Mundial havia a sensação de que só se fazia atividade física e treino coletivo. Trabalho tático e técnico quase não havia, o que agrava aquilo que vimos dentro de campo. Além disso, é possível que várias interferências externas tenham atrapalhado, como fato de treino ser paralisado para gravação de programa de entretenimento. Enquanto isso, os alemães treinavam todos os dias no horário de temperatura mais alta em Santa Cruz de Cabrália. Muita diferença.

RE - Felipão criricou muito a imprensa nacional, dizia que a pressão era enorme e que os jornalistas deveriam colaborar. Você acha que houve excesso realmente? Como era a relação Felipão-imprensa na Granja?
BG - Jornalista que cobre seleção brasileira não tem que "colaborar", que na concepção das pessoas da comissão técnica e CBF é poupar de críticas. O problema é que há quem se acostume a trabalhar com asseclas batendo palmas. Quem está numa posição pública tem que saber que esse tipo de coisa irá acontecer. O Felipão é experiente, sempre soube lidar com a imprensa. Acho, no entanto, que ele estava muito perdido e não conseguiu lidar com a imprensa também.
Copa de 2014
No dia a dia, não existia relação. Felipão comandava os treinos e os jornalistas acompanhavam de longe, no espaço reservado pela CBF. Eu não cheguei a acompanhar entrevistas coletivas dele em Teresópolis - se eu não me engano, foi só uma. Por duas vezes ele tentou aparecer na sala de imprensa para "resenhar" com jornalistas, mas o assédio foi imenso e não conseguiu. Houve o episódio dos sete jornalistas que ele convidou para conversar, o que, acredito, tenha sido uma forma de substituir essas conversas que ele sempre faz. Acho, no entanto, que a condução foi equivocada e a repercussão foi muito negativa.

RE - Quem você acredita que seria o treinador ideal pra esse momento conturbado da nossa seleção? Acredita que a mudança de treinador resolveria o problema? Quais sugestões você daria ao presidente da CBF caso fosse consultado?
BG - Existem profissionais competentes aqui no país, como Tite, Cuca, Muricy Ramalho, e fora também, como Jorge Sampaoli, José Pekerman, assim como os badalados José Mourinho, Josep Guardiola. Nenhuma mudança, no entanto, surtirá grande efeito sem que a CBF seja transformada. Estamos falando de uma entidade que fatura milhões e milhões, sem investir no futebol do país, estruturalmente falando. Nenhuma derrota decretou a falência do modelo do futebol brasileiro. Isso já estava evidente faz tempo. O que acontecia era a seleção "mascarar" isso, com um ou outro bom resultado. Agora nem isso...

RE - O Bom Senso vai emplacar? O que falta pro movimento se tornar realidade?
BG - O Bom Senso F.C. já é uma realidade. São um grupo de jogadores que se uniram para apontar problemas na estrutura do futebol. Claro que existe quem jogue contra, em primeiro lugar os dirigentes, em segundo algumas pessoas que atendem a interesses, que "jogam para a galera". Aí inventam que o BSFC precisa se manifestar quando o STJD pune a Portuguesa, quando alguém chama jogador de "macaco". Honestamente, acho que essa não é a prioridade deles. O importante é buscar formas de fazer o futebol brasileiro melhor, com mais clubes jogando, mais atletas empregados e espetáculos melhores nos campos do país. Entrar na luta em várias e várias frentes só enfraquece a luta principal. Se a luta deles dará frutos, não sei dizer, contudo, vejo com bons olhos a iniciativa.

É isso aí galera! Terminamos por aqui!

Agradecemos ao Bruno pela oportunidade e desejamos muito sucesso em sua carreira! Afinal... 2018 é logo ali!

Fui
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