sexta-feira, 18 de julho de 2014

Resenha Entrevista - Bruno Guedes - Parte 1

Fala galera! O Resenha Esportiva bateu um papo descontraído com o jornalista da Agência Efe, Bruno Guedes.

Bruno nasceu em Petrópolis e cursou comunicação na Universidade Federal de Juiz de Fora. Apaixonado por esporte, hoje divide seu tempo entre a Agência Efe, o blog que administra, Quatro Linhas, e sua coluna no ESPN FC.

O jornalista participou pela primeira vez de uma cobertura de Copa do Mundo, esteve inclusive na Granja Comary cobrindo a Seleção Brasileira, e teve o privilégio de presenciar in loco a final entre Alemanha e Argentina, realizada no Maracanã.

Vamos dividir em duas partes, uma entra no ar agora, e a outra na próxima segunda-feira. Segue a primeira parte da entrevista:

Resenha Entrevista - Conte-nos um pouco sobre o início de sua carreira, qual foi sua inspiração e seus maiores incentivadores. Como surgiu sua paixão pelo jornalismo?
Durante a Copa das Confederações
Bruno Guedes - Na verdade, paixão pelo esporte. Nasci viciado por futebol, acompanhando tudo o que podia, vendo jogos, colecionando figurinhas, lendo revistas. Herdei isso do meu pai, que também me acordava domingo de madrugada ou pela manhã para ver Fórmula 1, assim como Jogos Olímpicos, entre outros eventos esportivos. Carreguei isso por toda a infância e adolescência. Cheguei a tentar ingressar na faculdade de Educação Física, mas não passei - felizmente. Passei no vestibular para a História, mas depois de dois anos cheguei a conclusão de não era aquilo que queria. Vi no jornalismo a possibilidade de me manter perto do esporte.
Me lembro que quando criança, havia um tio, chamado Francisco, que vivia dizendo que eu deveria ser jornalista. Ele faleceu no ano passado, mas essa lembrança sempre estará presente. Meus pais também são fundamentais nessa minha caminhada. Já na faculdade encontrei o professor Márcio Guerra, que foi repórter em Juiz de Fora e no Rio de Janeiro, e é responsável por um trabalho fantástico na formação de profissionais na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora.


RE - Hoje você está na Agência Efe e é colunista do ESPN FC, como foi o caminho até chegar nessas duas gigantes? Lembro do seu antigo blog, o Rivais do Rio.
BG - Me formei em 2009 e logo fui trabalhar no Diário de Petrópolis, outro lugar fundamental na minha formação, por ter estagiado lá durante a faculdade. Assumi a editoria de esportes e a sub-editoria geral da publicação. Fiquei ali só seis meses, mas que pareceram 10 anos, e amadureci muito, por diversos motivos. Fui para o jornal O Terminal - hoje extinto -, onde era repórter de cidade, mas também fazia matéria de esportes, fazia fotos, enfim, tentava ter 1001 utilidades. Fui repórter no sentido amplo da palavra. Em 2011 me mudei para o Rio de Janeiro, passando pelo site Justiça Desportiva, pelo O Dia - atuando no online -, até chegar na Efe, pela indicação do amigo Douglas Rocha, com quem atuo na área de esportes.
No ESPN FC a situação é diferente. Lá, não necessariamente pratico jornalismo, já que se trata de uma plataforma feita por torcedores para torcedores. Ali a paixão vem primeiro, mas claro que tento botar minha formação na área "para jogo". Acho que minha cornetagem nas redes sociais e até o que desenvolvemos no Rivais do Rio, que era um trabalho muito legal voltado aos quatro times grandes, ajudou. Assim como a atuação como blogueiro no Quatro Linhas. Deu para chegar com uma certa bagagem e um pouco entendedor dessa coisa de ser blogueiro.

RE - Você foi credenciado para a Copa do Mundo pela Agência Efe, uma das grandes agências internacionais de notícias. Como é sair da edição dos textos para a cobertura de eventos?
BG - Bom, o nosso trabalho é basicamente de edição, mas quem tem essa paixão por ser repórter não consegue ficar quieto só fazendo isso. De vez em quando arrumo uma entrevista para fazer, uma reportagem para elaborar, com objetivo de acalmar essa necessidade de ir para a rua. Acho que essa mudança de perfil, para poder cobrir um evento, é sentida individualmente, com cada um reagindo à sua maneira. Eu confesso que me sinto muito confortável. Antes da Copa começar, fiquei sete dias em Teresópolis, acompanhando treinos na Granja Comary, o que me permitiu ver a participação da seleção brasileira de maneira diferente. Eu ficava lá observando, analisando, tentando identificar padrões, virtudes, problemas, o que tornam qualquer texto muito mais rico. Depois foi hora de acompanhar os jogos no Maracanã, com a missão, na maioria deles, de partir para a zona mista no fim das partidas. Fazer contato direto com jogadores, ouvir suas avaliações. Além disso, nos dois momentos, há algo muito importante, que é o contato com os companheiros de profissão. O compartilhar ideias, visões, ouvir experiências, impressões, é sempre muito rico.

RE - A Copa de 2014 pode ser considerada a Copa da "Rede Social". As redes sociais tiveram um trabalho bem específico para informar, e porque não, desinformar o torcedor. Como você analisa a importância das redes sociais em um evento de grande porte, como a Copa do Mundo? você acha que o brasileiro está preparado para usá-las da maneira correta?
Entrevistando Diego Tardelli
BG - As redes sociais vieram para revolucionar a forma com que cada um se relaciona com a informação. Nelas, há espaço para a tudo, afinal você acompanha o que quiser. Na sua timeline você pode escolher não acompanhar nenhum veículo de mídia tradicional, pode até escolher não acompanhar nenhum veículo e nenhum jornalista, e ainda assim ficar super bem informado. Não há certo ou errado nelas, há o modo que cada um resolve enxergar as coisas. Claro que nas redes sociais é mais fácil um boato se espalhar, uma mentira ser veiculada, porque a repercussão é muito mais rápida. Isso, no entanto, também acontecia sem elas. E não é privilégio dos brasileiros.
Quanto a Copa do Mundo, sem dúvida, ela foi dominada pelas redes sociais. Tivemos o Lukas Podolski, que mal entrou em campo na competição, mas se tornou protagonista por causa de suas postagens no Instagram e Twitter. Muita gente não conseguiu acompanhar jogos sem estar logado no Twitter ou Facebook. É um fenômeno que se tornou comum em grandes eventos como SuperBowl, final de Liga dos Campeões da Europa, mas talvez tenha sido ainda maior na Copa para nós, afinal, nos nossos olhos é o maior evento esportivo, já que somos o país do futebol.


RE - Sobre sua participação na Copa, pode considerar que foi um sonho realizado? Como foi receber o convite para a cobertura do evento, a emissão da credencial, a chegada à Granja Comary, ao Maracanã... nos conte um pouco sobre esse momentos.
BG - Eu estava falando com minha esposa que é tanto foco no trabalho a ser realizado, que em alguns momentos a gente se torna um pouco frio. A retirada da credencial, a presença na convocação da seleção, o dia do primeiro jogo, a entrada na tribuna de imprensa para uma final de Copa são alguns dos momentos especiais, é claro. Aquela hora que você olha para trás, por tudo já passado e bate uma sensação de vitória. Fiz a crônica da decisão para a Efe com um frio na barriga que, imagino, muitos dos jogadores também sentiram. É questão de desafio profissional, de objetivo de fazer o melhor possível. A Copa do Mundo é um sonho para qualquer pessoa envolvida com futebol, seja jogador, técnico, torcedor ou jornalista. Agora é torcer para que as próximas cheguem logo e eu também possa estar lá.

RE - Depois da Copa do Mundo, quais seriam suas metas como jornalista? Algum projeto em especial?
BG - Engraçado é que nunca trabalhei exatamente com metas. Acabada a Copa, a intenção é retomar o trabalho e pensar nos próximos eventos. Imediatamente, o horizonte traz a realização do NBA Global Games, com o jogo entre Cleveland Cavaliers e Miami Heat. Ou seja, três meses depois de ver, Messi, Schweinsteiger, entre outros, pode ser que tenha a chance de acompanhar LeBron James in loco. Seria sensacional. Além disso, vem aí as Olímpiadas aqui no Rio. Como disse acima, fica também o desejo de estar em outras Copas do Mundo. Para isso, pretendo seguir crescendo como profissional, com muito preparo e dedicação.
 
Hoje paramos por aqui! Segunda-feira tem mais Bruno Guedes falando sobre sua experiência na Granja Comary e sobre o futuro da nossa seleção, além de uma opinião sobre o movimento Bom Senso FC.

Valeu!

Fui!
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