quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

2ª Copa João Havelange

Como todo mundo já sabe, Portuguesa e Flamengo perderam 4 pontos no Brasileirão 2013 e com isso a Lusa acabou sendo rebaixada para a Série B de 2014 no lugar do Fluminense, que antes ocupava a 17ª posição. Ambos os times já recorreram da decisão e um novo embate acontecerá.

Se o julgamento de segunda foi considerada a 39ª rodada do campeonato, o do dia 27/12, se é que acontecerá mesmo nessa data, vai ser a 40ª, isso em um campeonato de 38 rodadas.

Mas o que poucos perceberam é que esse campeonato ainda pode se alongar mais, com a 41ª rodada, sendo disputada na justiça comum, já que o presidente da Portuguesa, Manuel da Lupa, afirmou que recorrerá à esse âmbito caso não tenha êxito no julgamento do Pleno do STJD.

Sou contra, completamente contra esse tipo de apelação. Se acontecer com o meu Flamengo serei contra, não importa a circunstância. Sou da opinião que o futebol tem que ser resolvido dentro de campo, porém, caso existam irregularidades, elas devem ser resolvidas, e para isso existe o Superior Tribunal de Justiça Desportiva, que por mais falho que possa ser (como muitos tribunais no Brasil), ele deve ser pleno na decisão dos casos.

Se existe um regulamento próprio (por pior que seja, e iremos discutir esse assunto daqui uns dias novamente), que o tribunal tenha poder de decisão, não é justo que se leve a decisão para uma outra área, a questão não é cível, ela é desportiva, e só.

Além disso tem a Fifa, que pode penalizar Portuguesa e CBF caso isso se confirme. Ambas correm o risco até de ser desfiliadas da entidade, o que seria um caos em ano de Copa do Mundo. E não é nada de anormal não, o regulamento da entidade maior do futebol mundial prevê esse tipo de pena, ele é claro ao dizer que as confederações nacionais devem se responsabilizar por qualquer ato dos clubes que não estejam na esfera desportiva.

Já aconteceu isso, pelo menos que eu me lembre, por duas vezes nos últimos 15 anos.

Em 99 todo mundo sabe, depois do "caso Sandro Hiroshi", o Gama entrou na justiça comum pleiteando a vaga na Série A. Pelo risco de poder ser punido, quem entrou com a ação na verdade foi o PFL (hoje DEM) e o Sindicato dos Técnicos do Distrito Federal. Os tribunais da Justiça Comum deram razão ao Gama, e a CBF, com receio de sofrer uma penalização da Fifa e da Justiça Comum, resolveu acatar a decisão de sua forma, abrindo mão da organização do campeonato de 2000, passando essa tarefa ao Clube dos 13, que incluiu o Gama na sua relação.

Outro caso é recente, o Rio Branco do Acre deveria disputar a Série C em 2012, porém havia entrado na Justiça Comum depois que o Ministério Público vetou a liberação de seu estádio, com isso a CBF o excluiu da competição. Com isso o Treze, da Paraíba, entrou também na Justiça Comum pleiteando essa vaga, já que havia sido o 5º da Série D do ano anterior.

Depois de muita polêmica e ameaças por todos os lados, a CBF colocou ambos na Série C de 2013 e resolveu o problema (por enquanto, porque já existe outra briga do Brasiliense não aceitando o rebaixamento agora).

Nos dois casos houve um recuo da CBF, por medo de ser penalizada pela Fifa, e isso pode voltar a acontecer, transformando a Série A do Brasileirão em outro campeonato inchado, como outrora foi, justamente em uma época onde os jogadores pedem uma redução do calendário, e em uma época onde tudo parecia que teria um ponto final.

Será que teremos uma 2ª edição da Copa João Havelange?
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Um comentário:

  1. E aê beleza?!

    Realmente o Futebol Brasileiro tem muito dessas viradas de mesa (infelizmente), mas só aparece em evidência quando envolve algum time grande. São coisas assim que mancham a imagem do Futebol Brasileiro.

    Abraços.
    FC Gols:
    http://fcgols.blogspot.com.br/

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