quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Pré história

Eu costumava ouvir vários comentários a respeito do charme dos campeonatos estaduais, da sua importância histórica e do que representa para o futebol brasileiro. Já ouvi que foram o embrião da paixão nacional, que a partir deles os grandes clubes surgiram para, enfim, formarem o campeonato nacional.

Eu concordo plenamente com todos esses argumentos, a gente não pode esquecer do nosso passado. Inclusive, até concordo com o ponto que os pequenos clubes usam o campeonato para negociarem suas pérolas com os grandes clubes, o que torna esse tipo de competição uma espécie de celeiro.

Atleticanos na reapresentação em 03/01: Deram muitas voltas em torno do gramado
Foto: Gustavo Oliveira/Página oficial do Atlético-PR
Mas a partir do momento em que começaram a atrapalhar, aí não consigo encaixar todo esse raciocínio dentro do bom senso. Uma equipe que se prepara para o ano todo não pode ter apenas 15 dias de preparação. É desumana a forma como os atletas profissionais se preparam, e ainda ficam sujeitos a uma série de problemas físicos que podem, inclusive, comprometer a Seleção Brasileira. Vide o exemplo de Fred, centro-avante titular do time canarinho até a contusão que o acometeu e deixa o craque fora dos gramados já há alguns meses.

Com o término dos confrontos válidos pelas semi-finais da Copa do Brasil, a ida do Atlético-PR à final pode surpreender a muitos críticos que apontavam a equipe do sul como um azarão. Também quebrou a cara quem apostou nos rubro-negros como candidatos a rebaixamento no Brasileirão.

O segredo? Revelado há muito tempo: Uma longa pré-temporada. Simplesmente abriram mão do campeonato estadual para se dedicarem ao preparo para o restante da temporada. Dessa forma, chegam ao final do ano com o gás necessário para entrar na disputa pelo título! Além de fazer Paulo Baier, aos 39 anos, correr como um garoto.

Estamos em tempos em que até os jogadores estão reivindicando a mudança no calendário, e agora formalmente, através de manifestos e reuniões com a CBF. Não é possível que os gestores ainda não enxergaram o óbvio, parecem protetores do patrimônio histórico. Dizem que não se pode derrubar a casa antiga por ela fazer parte do patrimônio, mas não oferecem recursos necessários para que seja mantida da forma que não vire um elefante branco em franca decadência.
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Um comentário:

  1. Vamos focar em 2 pontos distintos, os estaduais e uma boa pré-temporada, já que pra mim um não impede o outro.

    Não vejo como acabarem os estaduais no Brasil, esquecendo até a questão da tradição e tal... o que eu penso é que teremos vários clubes fechando as problemáticas portas, e mais, o Brasil só é o celeiro de jogadores que é porque temos muitas opções para revelá-los.

    Em contrapartida, acho que uma boa pré-temporada pode significar êxito no decorrer do ano, mas não é uma máxima, já que todos os clubes podem fazer o mesmo que o Furacão fez (os clubes de Minas tiveram uma pré-temporada maior e nem por isso o América está subindo pra Série A).

    Acho que o mais importante que fez o Atlético foram as excursões no início do ano. Com uma fórmula que privilegia os grandes no Paranaense, era possível abrir mão de um turno ao menos, e buscar a vaga no segundo. Mas nem isso fizeram, abriram mão de tudo, e ficaram praticamente 4 meses sem jogar.

    Pode ser uma boa em termos de lesão? Talvez... mas como falei, os clubes mineiros tiveram uma ótima pré-temporada, e o Galo está lotado de jogadores no DM...

    Enfim... podemos ter os dois: estaduais e pré-temporada, basta organizar (e aí sim temos problemas).

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