sábado, 26 de outubro de 2013

Resenha Entrevista - Mauro Cézar Pereira

Fala galera! Hoje vamos reprisar a entrevista que o Mauro Cézar Pereira, da ESPN Brasil, deu para o meu antigo blog, Psicopatas do Futeblog, o embrião do Resenha Esportiva, na coluna “Entrevista de Craque”.

Mauro completou 50 anos no último mês de agosto, e com um perfil crítico divide opiniões entre os telespectadores.

A entrevista foi feita pelo Douglas Rocha, em 2008, meu antigo parceiro de blog e que hoje trabalha na Agência EFE, no Rio de Janeiro. Muitas perguntas daquela época cabem muito bem ao que acontece hoje em dia, e é uma possibilidade também para sentirmos se algo mudou, inclusive a opinião do Mauro. As informações que o Douglas passou na ocasião foram atualizadas para o dia de hoje.

Vamos lá!

* por Douglas Rocha

"Entrevista de Craque" desta semana vem com mais uma fera dos canais ESPN. Mauro Cezar Pereira mostrou em suas respostas ser além de um jornalista esportivo bem informado e inteligente um profissional educado e atencioso com quem se interessa pelo seu trabalho.

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói-RJ e se formou jornalista com 20 anos de idade, na Faculdade Hélio Alonso (Facha), do Rio de Janeiro e já exerce a profissão há 30 anos. Mauro Cezar começou sua carreira na Rádio Tupi (RJ) e, antes de chegar aos canais ESPN e ESPN Brasil e à rádio Eldorado/ESPN, onde trabalha desde 2004, passou por grandes veículos, como Rádio Globo, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Revista Placar. O jornalista de 50 anos ainda foi editor-chefe do portal Ajato, editor da TV Terra, portal Terra, além de editor do site do programa de automobilismo Auto Esporte, da Rede Globo.

Antes das perguntas, faço questão de agradecer ao futeblogueiro Luiz Paulo Knop, que conseguiu as entrevistas com Sílvio Lancellotti e Mauro Cezar, e ainda sugeriu algumas perguntas.

Douglas Rocha - Lemos no site da ESPN um artigo seu sobre os estaduais. Qual a solução que você aponta para diminuir a "supervalorização" dessas competições? Você acha que elas devem acabar?
Mauro Cezar Pereira - Acho que devem ser mais curtos, não podem ocupar tanto espaço no calendário. Hoje são competições secundárias, é preciso entender isso, ou seja, fracassar no Estadual não é nada se você puder ganhar algo maior. 

DR - Segundo a CBF, em 2009 deveremos ter a criação da Série D do campeonato nacional. É uma boa para o futebol brasileiro e para as equipes pequenas?
MCP - Se eles estão cortando o subsídio para passagens aéreas na Série C, de que maneira querem criar uma D? Essa CBF...

DR - Com relação à Copa do Brasil, até que ponto você acha que a não-particpação dos cinco (ou seis) brasileiros na Libertadores esvazia e empobrece a competição?
MCP - Tecnicamente empobrece a competição, isso é óbvio, é mais um absurdo da CBF, que deveria esticar a Copa do Brasil, realizando-a entre fevereiro e dezembro, para que todos os times da Série A pudessem participar, o que é outro absurdo, o Figueirense, por exemplo, é vice-campeão da competição e não a disputa em 2008.

DR - Falando de Libertadores, de onde você acha que vem o sucesso relativamente recente do Boca Juniors na competição? Por que os times brasileiros o temem tanto?
MCP - Eles se dedicam ao torneio, usam bem o mando de campo e têm bons times. Os times brasileiros temem o Boca porque normalmente perdem para o clube argentino.

DR - E quanto ao River, por que o clube não vem conseguindo chegar nem perto das campanhas do rival?
MCP - O River vive crise administrativa e com sua torcida, mais violenta e sempre no noticiário policia. Revela mais talentos do que o Boca, mas não consegue armar e manter times competitivos, como ocorreu por muito tempo com o Flamengo, por exemplo.


DR - Mudando de continente, mas ainda falando de fracassos em torneios continentais, o que falta para Internazionale, Lyon e PSV, times que vêm dominando os campeonatos de seus países, vencerem a Uefa Champions League?
MCP - Lyon e PSV dominam em países nos quais os campeonatos nacionais são de segunda linha. São grandes em casa, médios e eventualmente pequenos no cenário europeu. A Inter tem grandes jogadores, mas ainda não se firmou internacionalmente, o que, a meu ver, é uma falta de postura, o que vimos ante o Liverpool, quando se acovardou, temeu o time inglês e perdeu por 2 a 0 merecidamente.

DR - Quando mais novo, Zico dizia que dificilmente seria treinador de futebol. No entanto, o Galinho de Quintino obteve relativo sucesso como treinador do Japão e agora tem conseguido bons resultados no comando do Fenerbahçe. Você acredita na continuidade e no sucesso de Zico como técnico? E a equipe turca, tem alguma chance na UCL, depois de eliminar o Sevilla?
MCP - Vai depender do sorteio. Ele mudou de idéia, e está se tornando bom treinador, com times que também atacam e se mantêm competitivos.

DR - Apesar do relativo sucesso de Zico, o futebol brasileiro não emplaca treinadores no futebol europeu. Nem mesmo Felipão é unanimidade no Velho Continente. Por que isso acontece?
MCP - Felipão tem prestígio sim, unaminidade ninguém é. Além de dificuldades com o idioma, me parece que os treinadores daqui não demonstram capacidade no olhar dos europeus. A participação não mais que razoável de Luxemburgo no Real Madrid, apesar de ser considerado o maioral no Brasil, reforça tal tese.

DR - Marcos Senna, Rodrigo Taddei, Doni e Afonso são nomes de quatro entre centenas de jogadores que eram considerados jogadores medianos quando atuavam no Brasil, mas que hoje são ídolos na Europa. Em compensação, jogadores como Ricardo Oliveira, Carlos Alberto, entre outros, são tidos como excelentes jogadores por aqui, mas não emplacam por lá. A diferença do futebol europeu para o brasileiro é tão grande assim para permitir essas "incoerências"?
MCP - Não vejo como ídolos tais jogadores, apenas jogadores que ganharam mercado. Afonso era destaque num time minúsculo e hoje é estrela em outro, maior do que o anterior, mas pequeno na Inglaterra, que é o "Boro". Doni é titular, mas ídolo? O mesmo vale para Senna e Taddei. Ricardo Oliveira faz relativo sucesso na Espanha, sempre em times medianos e Carlos Alberto não tem tal prestígio nem aqui, nem lá, aliás, os alemães parecem ter enlouquecido para investir tanto nesse jogador.


DR - A Taça Libertadores e a Uefa Champions League têm sucesso e reconhecimento indiscutíveis. Torneios entre seleções, como a Eurocopa e a Copa Africana de Nações, são sucesso em seus continentes. Isso não acontece com a Copa América. O que falta para esse torneio ser mais valorizado?
MCP - Em primeiro o torneio vinha sendo realizado a cada dois anos, segundo pela disparidade de forças (Argentina e Brasil são muito superiores aos demais times do continente), talvez possa ganhar prestígio se realizado a cada quatro anos e simultaneamente à Eurocopa, com um esquema mais profissional, claro, afinal, na Venezuela estádios inacabados, em obras, abrigaram partidas.

Agradecemos muito a entrevista ao Mauro e contamos com os comentários de todos os nossos leitores.
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