terça-feira, 1 de outubro de 2013

A tal espanholização

Fala galera! Nos últimos dias estamos vendo com frequência o termo "espanholização" quando se trata do futebol brasileiro. A princípio imaginei que o termo referenciava o futebol compacto e que sofre poucos gols, não fazendo tantos, mas sendo eficiente, que a Fúria aplica em seus jogos. Inclusive já podemos ver Corínthians e Flu assim no ano passado. Mas não... o termo está relacionado com a divisão das cotas de TV para os clubes.

É sabido por todos que uma das maiores receitas, senão a maior, é com a grana das televisões. Até 2009 os clubes ganhavam muito pouco e com certeza era um dinheiro que não fazia tanta diferença como hoje. Para exemplificar, Flamengo, Vasco, Corínthians, São Paulo e Palmeiras faturavam em torno de 25 milhões/ano. A Globo, detentora dos direitos, gastava aproximadamente 150 milhões/ano.

Veio a crise no Clube dos 13, um clube não aceitava receber menos que o outro, Flamengo e Corínthians diziam que recebiam pouco, e foi cada um negociar de seu jeito. O Brasil entendeu que era a melhor maneira. Veio a Rede TV oferecendo uma graninha pra alguns, veio a Globo e cobriu a oferta, fim das contas: todo mundo com a Rede Globo novamente, mas dessa vez eles teriam que tirar o dinheiro do cofre um pouco mais.

A situação atual dá a Flamengo e Corínthians 120 milhões/ano e para Vasco e Palmeiras um total de 80 milhões/ano. Tudo negociado pelas partes, nenhuma negociação conjunta. É claro que o fator torcida pesa muito nesse sentido, afinal, as emissoras precisam de lucro, e o lucro só vem com patrocinadores, e para esse patrocinador colocar seu nome e pagar por isso é necessária audiência, é uma engrenagem.

Para 2016 as receitas vão girar na faixa de 170 milhões para Flamengo e Corínthians, e 100 milhões para Vasco e Palmeiras. Outros clubes como Fluminense, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Internacional, Grêmio e Botafogo passarão a receber 60 milhões (hoje recebem 45).

E então vamos entender agora sobre a espanholização que tanto dizem. Na Espanha a divisão de cotas de TV é bem parecida, com Barça e Real recebendo um valor muito maior que os outros. Dizem por lá que esse é o segredo para que estejam muito a frente dos outros clubes. Pode ser que hoje faça a diferença, mas não dá pra negar a história dos dois clubes, afinal isso é um assunto recente. Para se ter uma idéia, juntos os dois venceram 54 de 82 campeonatos até hoje.

Muitos defendem o método implantado na Inglaterra. Por lá tudo é negociado em conjunto, 50% do total de receita é dividido igualmente entre os clubes. 25% é dividido de acordo com a colocação no campeonato. 25% é dividido de acordo com a quantidade de jogos transmitidos pela TV, e com certeza o fator número de torcedores influencia nisso.

Na temporada passada o Manchester United foi o que recebeu mais, em torno de 60 milhões de libras, aproximadamente 180 milhões de reais. O que recebeu menos foi o QPR, do goleiro Júlio César, que pegou em torno de 120 milhões de reais.

Olhando por alto, é claro que é mais justo, mas como resultado esportivo não estamos vendo uma grande vantagem. Como coloquei acima, na Espanha são 66% dos títulos para apenas dois clubes. Na Inglaterra, na Era Premier League, foram 62% só para o Manchester United. E se pegarmos somente os últimos 7 anos, foram 5 títulos do time vermelho de Manchester.

Não sei se existe uma fórmula, não dá pra saber, já testamos a negociação conjunta, não deu certo, que tal darmos um tempo para que os clubes aprendam a negociar com as próprias armas?

Por hoje ficamos assim...

Fui!
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