quinta-feira, 4 de julho de 2013

O Gigante não acordou, esteve deitado em berço esplêndido

O despertador tocou
Foto: Laurence Griffiths/​Fifa
Depois de muitos dias de festa, é hora de voltar para a realidade, para a vida cotidiana. Por quinze dias vivemos a comoção, o entusiasmo, os erros e acertos repercutidos de forma gigantesca na Copa das Confederações.

E o que eu vi nesses dias foi algo diferente do que esperava. Eu vi um sentimento que há muito tempo já parecia ter se esgotado. O Brasil, país do futebol, maior detentor de títulos de Copas do Mundo, único a participar de todas as edições, o mais vitorioso da História, simplesmente viu que se colocava acima dele bem acima, diga-se de passagem), uma Espanha que dominava o cenário como nunca e que mostrava prepotência como sempre.

Desde título mundial de 1994 eu não via uma comoção tão grande em torno da Seleção Brasileira. Isso mesmo que você está lendo! O vice campeonato de 1998 e o título de 2002 completaram a lista de três finais consecutivas. Aliando isso às inúmeras finais atingidas, entre elas Copa das Confederações e Copa América nós simplesmente nos esquecemos do que é uma disputa de verdade. Nos esquecemos de como é a sensação de superar um adversário maior do que nós. Nosso maior adversário nos últimos 20 anos tinha sido nós mesmos.

Mesmo quando o Brasil não ganhou a Copa de 2006 nosso sentimento era quase um misto de "eu não queria mesmo" com "minha seleção era boa demais pra ganhar só isso". Em 2010 falou-se em renovação, mas ainda assim nosso sentimento pelos nossos representantes dos gramados ainda não havia voltado ao ponto inicial. Estávamos prepotentes como nunca.

Assim, quando a Espanha despontou em 2008 derrotando a Alemanha na final, nós pensamos: "Vai ser mais uma Grécia, que ganhou a Euro mas foi um acaso do destino". Custou a cair a ficha de que nós não éramos mais os melhores, ou simplesmente parecia que ninguém queria aceitar isso.

Mas nós não éramos os melhores. Não por causa do ranking da FIFA, mesmo porque não jogamos competições oficiais e os amistosos eram muitas vezes contra seleções que não tinham muita expressão. Nós não éramos os melhores porque o que era considerado como o melhor futebol não era mais praticado pela gente. Os melhores jogadores do mundo não eram os brasileiros, e sequer tínhamos um compatriota indicado para a lista de destaques.

Por isso, o principal motivo dessa Copa das Confederações foi mostrar para nós mesmos que não éramos mais aquilo que pensávamos. Quando ficamos de frente para a Espanha no dia 30 de Junho, no Maracanã, tivemos que chegar com humildade, porque eles eram superiores. E foi por isso que vencemos. Não por causa dessa suposta humildade. Não porque respeitamos o adversário. Nós vencemos porque tivemos a motivação de tomar o lugar que sempre foi nosso. Tivemos um objetivo. Tivemos alguém que nos daria prazer se vencêssemos. Vencer a Copa das Confederações não foi uma obrigação. Foi superação.


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Um comentário:

  1. Tal como a seleção, você se superou nesse texto. Concordo com tudo.

    Um detalhe que talvez venha reforçar essa tese é sobre os amistosos, pelo fato de sempre enfrentarmos equipes fracas, sem tradição, perdemos aquele gosto de torcer.

    Agora foi diferente, pegamos Itália, Inglaterra, França, só seleção de ponta! E assim era antes da Copa de 94 também.

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