terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Os frutos da Copa do Mundo

Fala galera! Hoje abrimos espaço para mais um camarada do Resenha Esportiva. O texto de hoje é escrito pelo jornalista Tiago Domingos, um dos integrantes do blog Rivais do Rio e também o autor do blog Olimpíada no Sofá, que fez muito sucesso durante os jogos de Londres (vale a pena rever). Torcedor do São José (SP), Tiago costuma ter um olhar bem crítico sobre as situações, mas não menos coerente, e ainda vai me convencer a torcer de verdade pelo Bellucci.

Já foi convidado para escrever pro Resenha e aproveitando a oportunidade reitero o convite.

Chega de "lenga lenga" e vamos ao que interessa. O espaço é seu agora! Vai lá!

Neste fim de semana, a Folha propôs na sua seção “Tendências/Debates” um questionamento para dois ídolos do futebol brasileiro: Ronaldo e Romário. A pergunta era simples (“O Brasil aproveitará o potencial da Copa?”), mas as respostas mostram como é difícil ter uma discussão clara e produtiva sobre o assunto.

Ronaldo Nazário, maior goleador em Copas do Mundo e um dos atletas mais importantes na conquista do quinto título mundial, se tornou empresário antes mesmo de deixar os gramados. O senso de oportunidade foi preciso, já que o Brasil se encaminha para ser sede de dois grandes eventos esportivos. Com todas as conexões exploradas extracampo, hoje também faz parte do Comitê Organizador da Copa do Mundo, o que em muitos lugares seria no mínimo questionável, já que existe um conflito (ou uma convergência) de interesses entre o empresário com o objetivo de lucrar com um evento e o executor deste mesmo evento.


Romário, responsável direto pela quarta estrela brasileira em 1994, entrou em rota de colisão com a CBF nos mundiais seguintes e se tornou deputado federal, fazendo parte da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados.

Nenhum dos dois é contra a Copa do Mundo no Brasil, claro. Aliás, é bem pequena a parcela da população que se posiciona contra a realização do evento. Mas esses dois ex-atletas divergem, assim como os brasileiros, no potencial de ganho que o Brasil terá antes, durante e depois de 2014.

A resposta de Ronaldo a Folha explicita como a tergiversação é uma prática já arraigada no discurso de autoridades, organizadores e seus militantes. Ela fala da economia brasileira em comparação com Estados Unidos e Europa, com um exemplo verdadeiro, mas não pertinente ao questionamento. O Fenômeno se mostra “surpreso” com uma discussão nacional sobre infraestrutura e construções esportivas, como se isso não fosse uma prática comum de países que sediam grandes eventos e precisam se preparar como um todo. Defende como legado a abertura de 30 mil empregos nos estádios, como se o serviço continuasse após a finalização das obras. E cita estudos considerados superestimados por especialistas.

O mais preocupante, no entanto, é maniqueização da discussão. A prática de considerar críticos como inimigos do país vem reemergindo de pronunciamentos oficias à nação até os comentários de redes sociais, passando por comerciais na televisão. Chegam a apontar o dedo na cara dos “adversários”. “Que me desculpem os que acham o contrário, mas não há crítica que me convença de que sediar a Copa não é um bom negócio” é o trecho mais evidente de como Ronaldo não entendeu (ou não quis entender) a pergunta.

Bom negócio todos sabemos que é. A questão, como a Folha quis saber, é se aproveitaremos o potencial da Copa. E é nisso que Romário se mostra mais lúcido no seu texto. O deputado levanta o ponto central dos que estão preocupados com os encaminhamentos para a realização do Mundial: o sucesso do evento não representa em si a boa utilização dessa oportunidade.

Realizar uma Copa do Mundo é a chance de dar um grande salto para solucionar problemas estruturais de um país e o que todos se preocupam (a não ser aqueles com interesses particulares) é que esse salto seja o mais longo possível. O Baixinho já aponta fatos que mostram que o salto não será como desejamos: a desistência da realização de projetos de mobilidade urbana e o desalojamento de famílias sem a devida reparação. Os estouros de orçamento, infelizmente, são tratados com naturalidade.

Em 2014, as coisas vão funcionar. Com mais ou menos êxito, todos vão poder se acomodar, viajar, chegar aos estádios, se alimentar, se locomover, entre outras coisas. Mas teremos muitas ações paliativas para suplantar o que não foi feito direto. É aí que entra o “Copa pra inglês ver”. Todo o mundo verá que funcionou, mas não veremos todo o legado que era possível e prometido.

A população terá muitos ganhos com a realização desse megaevento, mas existe uma sensação que muitas vezes eles são tratados como colaterais. A cervejaria que lançou a campanha ufanista em torno do Mundial (não por coincidência contratante de Ronaldo), acusa de pessimista as pessoas que sofrem hoje com os problemas relativizados por ela. Faz o papel que muitos incorporam por ganhos políticos, financeiros, de poder ou até de graça. São “laranjeiros” e laranjas, que veem a Copa do Mundo como um ótimo negócio. Pra eles.

Tiago Domingos

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Um comentário:

  1. Concordo com praticamente tudo que o Romário fala.

    A Copa vai ser um sucesso, mas os brasileiros não saberão aproveitar a infra estrutura deixada, o tal do legado.

    Sobre o Ronaldo, esse post que fiz há 1 ano explica bem o que penso dele... http://www.resenhaesportiva.com/2012/01/testa-de-ferro.html

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