sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Endividamento: a ambiguidade do futebol mundial

Fala galera!

Nas últimas semanas andei lendo sobre a contratação do técnico Pep Guardiola pelo Bayern de Munique e os valores exorbitantes que giraram em torno da negociação, como o salário de cerca de R$47 milhões anuais do treinador e a disponibilização de R$759 milhões para que ele possa contratar à vontade, quem ele bem entender. Essas notícias me levaram a parar e pensar no endividamento dos clubes de futebol, não só do cenário nacional, mas também do internacional.

Todos sabemos que os grandes clubes brasileiros possuem dívidas milionárias, beirando - em alguns casos - meio bilhão de reais. Mesmo assim continuam contratando jogadores "estrelas" para o cenário nacional, pagando altos salários aos principais integrantes de seus planteis e gastando milhões em contratações, seja com “dinheiro do clube” ou então com o “suporte” de empresários e/ou investidores. Em contrapartida, os estádios continuam sucateados e o público - cuja presença é cada vez mais escassa - é historicamente mal tratado.

De acordo com a última auditoria realizada, o Fluminense é o clube mais endividado, com um rombo de R$ 319,7 milhões. Em seguida aparecem Botafogo (R$ 301 milhões), Atlético-MG (R$ 293,4 milhões), Vasco (R$ 291 milhões) e Flamengo (R$ 278 milhões). Santos, Corinthians, Internacional, Grêmio, São Paulo, Palmeiras e Cruzeiro também possuem débitos superiores a R$ 50 milhões.

Ao olharmos para o Velho Continente, o panorama muda um pouco. Na Europa, os estádios estão sempre lotados, os torcedores pagam e recebem diversão e conforto, os salários são milionários e as contratações atingem cifras estelares, num patamar muito superior e nunca imaginado para o futebol brasileiro.

Mas o mais interessante de tudo é que as diferenças acabam aí, já que as dívidas também são milionárias, num patamar novamente muito superior ao quadro brasileiro. Os clubes considerados como os maiores do mundo, Barcelona e Real Madrid, possuem dívidas entre €500 e €800 milhões cada um. O Manchester United, o clube inglês com maior número de títulos nos últimos anos, possui dívida de mais €800 milhões, semelhante ao Chelsea, com €600 milhões.

Essa constatação nos leva a uma série de reflexões. O futebol, espetáculo que é assistido por milhões de pessoas em todo o mundo, gera riquezas, empregos e movimenta a economia de diversos países, tem uma gestão financeira, no mínimo, discutível. E mesmo dessa forma continua tendo êxito, pois as dívidas não impedem os times de ganhar títulos e também não parecem paralisá-los para novas contratações e salários milionários.

O futebol como paixão, diversão e bem intangível ficaria fora das leis do mercado, ou seja, pode dar prejuízo desde que traga títulos e atraia torcedores. Pensando no futebol sob a ótica das boas práticas de mercado, de uma gestão eficiente e da ética da sustentabilidade, seria ele mais exitoso trazendo mais riquezas e atraindo mais torcedores? Na prática isso não parece verdade na comparação entre os clubes europeus. O futebol revela sua face ambígua também na gestão de suas riquezas.

Se fizermos uma comparação fria das dívidas do futebol brasileiro com as do futebol europeu, por exemplo, teríamos motivos "de sobra" para ficar esperançosos e satisfeitos.
Mas, infelizmente, sabemos que a realidade não é bem essa...
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Um comentário:

  1. A diferença é que lá na Europa os clubes são multados, punidos, rebaixados, vão à falência se necessário.

    No Brasil nunca acontecerá isso...

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