terça-feira, 20 de novembro de 2012

A verdadeira história da Seleção de 90

Fala galera! Hoje iremos contar um pouco história da seleção de 1990, talvez uma das mais injustiçadas da história. Toda vez que falamos de Dunga, Romário, Jorginho, Branco, Bebeto muitos outros craques da mesma geração, a primeira coisa que vem em nossa cabeça é o título mundial de 94, nos Estados Unidos, naquela final dramática contra a Itália, decidida nos pênaltis.
O time que enfrentou a Argentina em Turim


Pouca gente se dá conta da quantidade de fatos que unem esses jogadores e também da tamanha injustiça que lhes foi feita 4 anos antes. Em 1990 o treinador da seleção era o carioca Sebastião Lazaroni, tricampeão carioca dirigindo Flamengo e Vasco, em 86/87/88, e também campeão paranaense com o recém fundado Paraná Clube, em 1989. Era um dos treinadores mais capacitados para a missão de classificar o Brasil para a Copa e trazer o tão sonhado tetracampeonato.

A base da seleção seria formada por jogadores que atuavam ou que tinham passagem recente pelos clubes cariocas. Na época o êxodo de jogadores para o exterior era infinitamente inferior ao que acontece hoje, de qualquer forma, muitos nomes tinham história recente pelo Rio.

Como por exemplo do Botafogo que tínhamos Mauro Galvão e Alemão (na época no Napoli); do Flamengo: Jorginho (Bayer), Mozer (Marselha), Aldair, Renato Gaúcho e Zé Carlos; do Flu vinha a base defensiva com Ricardo Gomes (Benfica) e Branco (Porto); e do Vasco, campeão brasileiro na época, apareciam Dunga, Acácio, Mazinho, Bismarck, Tita, Bebeto e Romário, ou seja, 16 dos 22 jogadores (até a 1990 eram só 22 mesmo) jogavam ou tinham jogado em clubes cariocas recentemente, fora Junior (Flamengo) e Geovani (Vasco) que tinham totais condições de estarem na seleção naquele ano, e ficaram de fora.

Caniggia decide o jogo
A seleção começou bem, depois de ter se classificado com três vitórias e um empate nas eliminatórias, contra Chile e Venezuela, e um incidente que ficou marcado na história: o caso Fogueteira do Maracanã. Um rojão explodiu próximo à entrada da área chilena, e aproveitando-se disso o goleiro Rojas se cortou propositalmente na tentativa de uma punição ao Brasil. Totalmente em vão...

Na Copa começamos contra a Suécia, dois gols de Careca e vitória por 2x1. Quem deveria formar a dupla de ataque com o artilheiro do Napoli era Romário, mas o baixinho tinha fraturado a perna, em partida disputada pelo seu clube na época, o PSV da Holanda, e Lazaroni resolveu poupá-lo mais um pouco, prevendo que poderia precisar de 100% da sua forma física mais pra frente.

Logo depois batemos Costa Rica e Escócia, ambas por 1x0 e com gols de Müller. Estávamos nas oitavas com 100% de aproveitamento e uma defesa quase intransponível, o treinador havia trazido para o Brasil o esquema 3-5-2, uma novidade na época, e com a base que foi formada dificilmente iríamos perder.

Porém, tínhamos que enfrentar nossa maior rival, a Argentina de Maradona, logo na fase seguinte. A Argentina tinha feito uma campanha pífia, com uma vitória, um empate e uma derrota pra Camarões (a sensação do mundial) logo na estréia. A equipe vinha mal e não deveria ser complicado para o Brasil. Mas clássico é clássico...

Entramos em campo aquele dia com Taffarel, Ricardo Rocha, Ricardo Gomes e Mauro Galvão; Jorginho, Dunga, Alemão, Branco e Valdo; Müller e Careca. O adversário tinha a base do time campeão mundial de quatro anos atrás, mas não tinha a mesma fome que tiveram no mundial do México. O Brasil começou arrasador, foi a melhor partida da equipe no mundial, perdeu várias oportunidades claras de gol com Careca e com Müller. Porém já aos 35 do segundo tempo, em uma bola que Maradona arrancou do campo de defesa e colocou Caniggia na cara do gol, foi só driblar Taffarel e empurrar para o barbante, 1x0, resultado que eliminaria a seleção brasileira.


Lazaroni mudou a equipe, colocou Renato Gaúcho, para dar mais ânimo ao ataque, o Brasil pressionava. Em chute de Alemão, de fora da área, quase empatamos, a bola explodiu na trave, minutos depois Müller, recebeu a bola na cara, era só encostar e comemorar, mas quis o destino que ele desperdiçasse a oportunidade de gol mais clara de toda a sua carreira. Era tarde, perdemos, estávamos fora do mundial, e eliminados justamente para a Argentina, nossa maior rival.

A imprensa, que já criticava o esquema, crucificou Dunga, o símbolo da equipe, Lazaroni foi dispensado (Falcão assumiria a equipe para um período de transição antes da próxima Copa), vários jogadores encerravam seus ciclos pela Seleção sem ao menos levantar um caneco. A base era questionada, dias depois surgiram fatos que comprovavam a desunião da equipe, briga com patrocinadores, racha total, para tristeza do povo mais apaixonado por futebol no mundo.

Uma injustiça com uma das gerações mais talentosas de todos os tempos, uma geração que com certeza não vai ficar na história, mas que é muito responsável pelo título conquistado nos Estados Unidos.

Quatro anos mais tarde conseguimos o tão aguardado tetracampeonato, 24 anos depois do tri, a base não era a mesma, o futebol não era tão bonito, mas se a história não quis que essa geração ficasse marcada positivamente, pelo menos deu a oportunidade de alguns reescreve-la.

Tínhamos Dunga novamente, o capitão mais fantástico da nossa história, agora sim levantando um troféu. Tínhamos Taffarel fechando tudo, Romário e Bebeto no auge, impossíveis de serem marcados. Aparecia também um Aldair mais maduro, seguro na defesa, assim como um Branco e um Jorginho decisivos, jogando pela última vez uma Copa do Mundo. Um Mazinho fundamental para o esquema, entrando no lugar de Raí que depois de se transferir do São Paulo para o PSG caiu muito de rendimento. Uma pena que Ricardo Gomes tenha sido cortado dias antes da Copa, e que seu parceiro Ricardo Rocha tenha se machucado logo na estréia também, de qualquer forma podem ser considerados parte do grupo campeão.

Ressuscitei esse tema justamente porque em conversa com amigos essa semana surgiu a frase “a seleção de 90 era horrível”. E taí a história pra comprovar que não foi...

Vejam os jogadores que fizeram parte da campanha de 1990:
Goleiros: Taffarel, Acácio e Zé Carlos
Laterais: Jorginho, Branco e Mazinho
Zagueiros: Ricardo Rocha, Ricardo Gomes, Mauro Galvão, Aldair e Mozer
Volantes: Dunga e Alemão
Meias: Silas, Valdo, Bismack e Tita
Atacantes: Careca, Muller, Romário, Bebeto e Renato Gaúcho

Em breve volto com mais um capítulo de história do futebol...

Fui!
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