domingo, 8 de julho de 2012

Fla-Flus históricos - Parte 4

Fala galera! Hoje era pra ser a última parte de nosso especial, mas como idealizador da idéia resolvi prologar por mais um dia (mentira, é que to sem tempo pra montar alguma coisa pra segunda, e como recebi vários textos resolvi selecionar mais um pra amanhã).

Hoje é o grande dia, o dia histórico, hoje teremos o Fla-Flu de número 391, hoje será celebrado os 100 anos do Fla-Flu, 100 anos de glórias, de amizades, desavenças, mas mais que isso, 100 anos de futebol para os dois!

E chovendo no molhado é bom lembrar que o futebol rubro-negro nasceu de uma rebeldia de alguns jogadores tricolores, talvez desde então se tem a idéia de que os aristocratas são tricolores e os rebeldes são flamenguistas, mas no final das contas tudo se mistura e o que temos são esses 100 anos de história!

Bom... chega de papo furado! Vamos aos textos!

Pelo lado tricolor quem vai contar um pouquinho é o Paulo Victor. Dei a ele essa honra de escrever no dia do jogo histórico pelo simples fato de que se não fosse ele eu nem saberia que o Fla-Flu completava 100 anos de história... a partir de um post dele no Facebook, de zoação e tudo mais é que surgiu esse assunto.

Então hoje o Fla x Flu é Paulo Victor x Luiz Paulo, sim... eu mesmo!!! Então como sou de casa, vou dar a preferência hoje para o visitante. Manda ver aí PV!!!

"Diferente do que muitos poderiam pensar, o meu Fla x Flu inesquecível foi o primeiro que fui ao Maracanã. Era final da Taça Rio do ano de 2005 e o Fluminense vinha embalado, se não me engano com sete, oito, vitórias em sequência e era realmente o favorito. Porém, como não conhecia bem o Maracanã e nunca tinha ido a um Fla x Flu, fiquei com medo de ir sozinho para o lado da torcida do Fluminense, me perder e depois passar aperto na hora de voltar pra casa. Então o jeito foi, mesmo, ir com quem havia me convidado, para o lado da torcida do Flamengo. No começo foi difícil aceitar a ideia, era uma final e eu sou fanático. Imaginem se eu grito gol, ou qualquer coisa parecida? E não gritei porque não pude, mas não faz mal, eles também não, porque não tiveram motivo. O jogo foi um dia após a morte do Papa João Paulo II que tem uma música que a torcida tricolor tanto canta. Pensei, acho que amanhã dá Flu, em homenagem ao Papa.

Tuta marcou o primeiro pro Flu
O jogo começou, meio morno, apesar do forte calor que castigava, ou brindava, o Maracanã - lembro que a cada ida pra comprar água eram duas garrafas, uma pra beber e outra pra jogar na cabeça. Nos primeiros minutos de jogo o Diego, que ainda não era o Souza, hoje no Vasco, deu uma arrancada e poderia ter deixado o Tuta na cara do gol, mas foi fominha e perdeu a jogada -lembro que bati o pé firme no chão nesse lance e olhei para os dois “amigos” que estavam comigo, rindo pra caramba da minha situação. Bom no primeiro tempo, muito ruim, acho que foi só isso que aconteceu e o jogo tinha uma carinha de 0x0. Mas aí veio o segundo tempo e tudo mudou: logo aos 2’ minutos Juan sofreu penalti que foi convertido por Tuta, rasteirinho á esquerda do goleiro Diego. Aos 6’ Leandro, que era dúvida, ampliou após receber na área, com um remate colocado na saída do goleiro. Um pouco mais tarde, já pra metade do segundo tempo, veio o terceiro com Alex, que havia substituído Leandro e três minutos depois, aos 28’ veio a cereja do bolo, um golaço, por cobertura, com um toque sutíl de Preto Casagrande. Nos acréscimos, Zinho, em sua última partida como profissional descontou, de fora da área.

De longe eu só ficava rindo dos meus amigos, sem poder falar nada, e admirando a torcida tricolor cantar “Abenção, João de Deus...”, misturado aos gritos de “É Campeão”.

Ah, veio um torcedor e sentou do meu lado e disse: “p@#5 q!@ p!@$# amanhã ter aguentar um monte de tricolor de tirando sarro vai ser f$%&”. Aí eu respondi: p@#$#a e eu que vim de Minas, pra ver um jogo decente e acabo vendo essa m@#$?

Meus amigos olharam pra mim e disseram baixinho: Segura sua onda senão eu conto hein..."

Paulo Victor Cordeiro

Fluminense 4 x 1 Flamengo
Data: 03/04/2005
Local: Estádio do Maracanã
Árbitro: Luiz Antônio Silva dos Santos
Renda: R$ 501.236,00
Público: 74.650 (65.672 pagantes)
 
Fluminense: Kléber; Gabriel, Antônio Carlos, Igor e Juan; Marcão, Arouca, 
Diego e Juninho (Preto Casagrande), Leandro (Alex) e Tuta  
Técnico: Abel Braga
 
Flamengo: Diego; Ricardo Lopes, Rodrigo, Fabiano e André Santos (Adrianinho), Da Silva,
Jônatas e Júnior (Zinho); Fellype Gabriel, Marcos Denner (Geninho) e Dimba   
Técnico: Cuca 
 
Gols: Tuta aos 4', Leandro 6', Alex 25', Preto Casagrande 29' e Zinho 90'

 
Vejam detalhes do jogo:
 



"Pois é galera, eu poderia falar de vários Fla-Flus... porque não lembrar do 4x3 do Roger que o Léo contou? No mesmo ainda ainda teve um 3x2, outra vez com Roger como herói. Teve o fatídico gol de mão (barriga nada!) do Renato, teve aquela outra surra que o Júlio César brigou com o Evaristo "só" porque saiu driblando todo mundo com o jogo já perdido, teve o do Maxi, 1x0 com dois a menos em campo, bom... foram vários! Mas eu vou começar do começo...

Sim, a primeira vez que fui a um estádio de futebol assistir jogo foi em um Fla x Flu (que estréia hein). Era dezembro de 1989, eu ainda não tinha visto o Flamengo ser campeão (me recordo pouquíssimo de 87, muito pouco mesmo) e "só" era Flamengo porque meu pai era Flamengo, não existia ainda uma paixão, pelo não era descarada. Estava em Juiz de Fora, na casa dos meu avô (eu sempre passava férias lá) e meu tio (botafoguense) me contou que teria esse jogo no recém inaugurado Estádio Mário Helenio (apenas 1 ano antes).

Como eu gostava muito de futebol e nunca tinha ido ao estádio, pedi que ele me levasse. Mas pra mim era tudo novidade, até mesmo com relação a ídolos. Eu não tinha um ainda... Lembro até que fui com uma camisa pólo verde (acreditem) e não me sentei em torcida alguma, fiquei próximo ao gol do lado direito das cabines do estádio, no alto da arquibancada, lado oposto de onde a história seria escrita.

Um sol de rachar e eu com um furúnculo enorme nas nádegas (pode falar bunda aqui?)... eu no auge dos meus 7 anos não tinha a noção do que aquele jogo significaria na história do Flamengo... Estádio lotado... o sol rachando, como falei, eu sentado de banda (tava doendo tá?) e entra em campo o Flamengo... um time que tinha Zico, eu sabia que aquele cara que jogava com a 10 era muito bom, mas não tinha idéia do que aquele jogo reservava pra mim, pra torcida do Flamengo, e pra ele, Zico...

Zico saúda a torcida em Juiz de Fora
Começa a partida, eu emocionado, aquilo era muito bonito! Eu ainda não tinha muita noção de regra, nem como funcionava um estádio, mas sei que aos 22 minutos de jogo o tal de Zico coloca a bola no meio das pernas de um jogador do Flu e o juiz apita a falta... na cobrança eu comecei a entender o que aquele cara representava... 1x0, no ângulo de Ricardo Pinto... golaço!!

O jogo estava morno, mas o sol tava muito quente, meu furúnculo só aumentava a dor e veio o intervalo... aproveitei pra tomar um refrigerante e pegar uma sombrinha... tá osso ficar ali sentado, mas o sofrimento já começava a valer a pena...

Logo aos 4 do segundo tempo o tal de Zico enfia uma bola lá do meio pra Renato Gaúcho (aquele do gol de mão) que arranca pela direita, corta o zagueiro pro meio e fuzila! 2x0!

Pouco depois o estádio se levanta... aos 7 do segundo tempo Zico tira a faixa de capitão e entrega pra Júnior... então comecei a entender que eu presenciava ao vivo, em minha estréia em um estádio de futebol, o último jogo do maior jogador que a camisa rubro-negra já viu... o cara que fez do Flamengo o mito, a lenda, o multicampeão que é hoje, sem ele o clube talvez não tivesse a história, a torcida e os títulos que tem. O grito daquela multidão de "ei ei ei o Zico é o nosso rei" estampava bem o que aquele cara significava.

Ali, naquele momento, eu não sentia mais a dor e nem o sol, eu só sentia que eu tinha visto uma cena que ficaria cravada na história desse clássico, na história do meu Mengão, na história do Zico! E hoje, com 29 anos, vou ser pai (em primeira mão em rede nacional) e se for um menino o nome dele já tá escolhido, será Arthur, não pelo que Zico foi, mas pelo que ele representa como jogador, ser humano e caráter. Duvido que algum torcedor adversários duvide da capacidade de Zico, sua personalidade, seu jeito de ser, seu carisma, fez com que mesmo sendo adversário por toda a vida, ninguém tivesse um mínimo de raiva dele. E eu, graças a Deus, tive tempo para ver esse cara em campo, ao vivo, e a partir daí eu tive a certeza de que o Flamengo, e Zico, me acompanhariam pelo resto da vida.

Ah... esqueci... o jogo terminou 5x0... mas eu nem fiquei até o fim não, depois que Zico saiu a dor voltou em muita intensidade e pouco depois eu fui embora, ainda deu tempo de ver o gol de Luis Carlos, mas não vi o de Uidemar e nem o de Bujica...

Show!

Fui!"

Luiz Paulo Knop


Flamengo 5 x 0 Fluminense
Data: 2 de Dezembro de 1989
Estádio: Municipal de Juiz de Fora (Juiz de Fora-MG)
Público: 13.783 pagantes – NCz$ 287.370 Cruzados Novos
Árbitro: Aloísio Viug (RJ)
Cartões Amarelos: Luis Carlos, Rogério, Junior e Ailton (FLA); Marcelo Henrique e Alexandre Torres (FLU).
Gols: (1-0) Zico [F] 22/1º; (2-0) Renato Gaúcho 04/2º, (3-0) Luis Carlos 22/2º, (4-0) Uidemar 31/2º e (5-0) Bujica 43/2º.

Flamengo: Zé Carlos, Josimar, Júnior, Rogério e Leonardo (Marcelinho Carioca); Aílton, Luis Carlos e Zico (Uidemar); Renato Gaúcho, Bujica e Zinho; Técnico: Valdir Espinosa

Fluminense: Ricardo Pinto, Carlos André, Edson Mariano, Alexandre Torres e Marcelo Barreto; Vítor, Donizete e Vânder Luís; João Santos (Dedei), Silvio e Franklin (Marcelo Henrique); Técnico: Telê Santana


Vejam detalhes do jogo:


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Um comentário:

  1. Eu não li o post de ontem, mas o que pude ver em comum é que as pessoas, normalmente, foram marcadas pela primeira vez em um fla x flu.

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