quinta-feira, 5 de julho de 2012

Fla-Flus históricos - Parte 1

Fala galera! Conforme prometemos ontem, daremos continuidade à nossa série com histórias enviadas por amigos do nosso blog. Até o domingo, sempre teremos duas histórias de jogos históricos, uma contada por um rubro-negro e outra contada por um tricolor.

Hoje começamos com o texto enviado pelo Juliano, rubro-negro fanático e um dos responsáveis pela torcida organizada Fla Além. Do lado tricolor temos um convidado de honra, o cara que pela primeira vez falou comigo: vamos fazer um blog sobre esporte? Sim... to falando do Serginho, foi com ele que comecei o antigo Psicopatas do Futeblog e daí para o Resenha Esportiva foi um pulo...

Então vamos lá galera! Vamos reviver esses momentos históricos do clássico carioca! A partir de agora é com vocês, Juliano e Serginho!


"Que me desculpem os outros, mas Fla x Flu é mais que um clássico, é especial, seja por sua  mistura alegre de cores,  talvez pela história que os une desde os primórdios, mas acho que principalmente por sua imprevisibilidade de  quase sempre ser decidido em seus minutos finais, seja como for,  é e sempre foi  meu jogo preferido.  Acordar numa manhã de domingo em dia Fla x Flu, deixa qualquer dia mais bonito e já dá aquele friozinho na barriga.
Fla campeão de 1991

Mesmo sendo mineiro, nunca tive dúvidas e sempre fui apaixonado pelo Flamengo. E foi numa noite chuvosa de 19 de dezembro de 1991 que, levado por meu pai, comemorei meu primeiro campeonato Carioca no Maracanã. Já havia assistido a alguns Fla x Flus anteriormente, mas aquele foi  inesquecível.

Só de atravessar o túnel que levava à arquibancada já era uma emoção muito forte. As luzes dos refletores, o gramado perfeito, a festa de cores das torcidas, tudo perfeito.

Tínhamos um belo time, base do que levantaria o pentacampeonato Brasileiro no ano seguinte, porém Fla x Flu nunca é ganho de véspera.

E em um primeiro tempo morno, “Super Ézio”, ídolo tricolor na época, abriu o placar por cobertura. Preocupante, mas nada que abalasse, pois apesar de ter um time muito jovem, nós tínhamos Júnior, nosso maestro e capitão, campeão do mundo em 81.

Veio o segundo tempo, e com ele o show rubro-negro: tratamos logo de empatar e virar em lances parecidos, Uidemar  e Gaúcho,  ambos de cabeça. Zinho com um golaço de fora da área faz 3x1 aos 32 do segundo tempo, e quando tudo parecia resolvido, com os primeiros gritos de campeão já soando nas arquibancadas, em uma falha de nosso zagueiro, Ézio novamente não perdoou, 3x2 e o jogo estava aberto novamente.

Foi aí que nosso capitão apareceu e sem dar chance ao azar, tratou de “fechar o caixão” tricolor, 4x2 de um jogaço, emocionante e inesquecível.

Domingo teremos mais um capítulo dessa história, certamente estarei lá para acompanhar, espero que com mais uma vitória do Mengão, e desde já começo a sentir aquele friozinho na barriga.

Saudações Rubro-Negras a todos."

Juliano França

Vejam detalhes do jogo:



"Chegada a última rodada do Campeonato Carioca de 95, somente Flamengo e Fluminense tinham chance de levar a taça, o rubro-negro, com campanha melhor, precisava de um empate, enquanto ao Tricolor só a vitória interessava para fazer cessar o jejum.

O jogo começou, Maracanã lotado, assim como a minha casa, me posicionei na mesma cadeira e com a mesma roupa que vestia nos jogos que pude assistir até aquele momento (desenvolvi esta superstição durante o octogonal em razão de ter visto só vitórias do Fluminense). O tempo fechado, a ameaça de chuva eram fatores que só contribuíam para tornar aquela tarde/noite mais dramática. O Flu começa jogando melhor, domina o jogo, não erra (depois descobri que foram apenas dois passes errados no primeiro tempo daquele jogo) e marca, duas vezes, primeiro com Renato (que já jogara muito nos outros confrontos entre a dupla finalista) e depois com Leonardo, o mesmo que devolvera aos Tricolores o direito de sonhar com o título.

O Campeonato estava ganho, o Flamengo parecia morto, mas, quem conhece FlaFlu não se deixa levar por aparências, este talvez seja o clássico que mais produz momentos emocionantes e completamente inesperados, o que mais cria heróis e vilões, o que mais causa sofrimento nos torcedores. 

No começo do segundo tempo o ex-tricolor Branco acerta uma bomba no travessão de Wellerson em uma cobrança de falta, pronto (!), é a senha para que a fanática torcida rubro-negra cresça e faça renascer seu time, o Fluminense está acomodado, afinal, com a brilhante atuação da etapa inicial não era possível a equipe sucumbir a um Flamengo sem padrão de jogo e completamente desesperado. Mas era!

A chuva que já castigava o meu quintal no final do primeiro tempo aumenta, algumas pessoas se deslocam para dentro de casa e tentam ver o jogo pela janela, uma delas, inadvertidamente, pisa no cabo que leva o sinal para a TV que está no quintal. Estva quebrada a minha superstição, sem sinal, entramos todos e nos dividimos em 2 televisões dentro de casa, os Tricolores no meu quarto e os demais na sala.

O gol histórico de Renato Gaúcho em 95
Assim como o ambiente, o jogo parece mudar, o Flamengo cresce, vibra, ao som da sua torcida, o Flu parece confiante demais no placar já construído, dentro de mim, começa a nascer a idéia de que a sorte me deixou – eu deveria estar lá fora, no meu lugar...

O avanço do time da Gávea culmina com o gol de Romário, aos 26 minutos, o primeiro dele contra o Flu na vida. Neste momento o otimismo virava de lado, os antes tranquilos Tricolores roíam unha, na TV e ao meu lado, os até poucos segundos antes cabisbaixos Flamenguistas corriam eufóricos, viam o jogo de pé, também lá no Maraca e na minha casa.

Na minha cabeça um misto de certeza de aquele era o ano para o fim do suplício e a dúvida própria dos jejuns – outra vez?

A dúvida começa a virar certeza e a espantar de vez a convicção do título quando o mediano Fabinho entorta duas vezes a desorganizada zaga Tricolor (Sorley havido sido expulso junto com Marquinhos logo após o gol de Romário) e chuta para vencer Wellerson, eram 32 minutos, era o começo da comemoração Rubro-negra, o empate era deles, o jogo, agora, também, o Flu joga com um a menos, Lira é expulso por falta criminosa em Fabinho (não era possível, um jogador completamente comum ia se transformando em herói, mas, era possível, afinal, era FlaFlu)
Outra alternativa não me restou, levantei do meu quarto, onde alguns Urubus já tripudiavam dos macambúzios Tricolores, e resolvi que veria o final do jogo no meu lugar, lá fora, na minha cadeira, debaixo de chuva, com o sinal que fosse na TV. Desencapei o fio, o plug se perdera, conectei na saída de sinal somente o fio mesmo, ficou torto, caindo, mas entrou, o som e a imagem voltaram na TV da sorte. Sentei-me na minha cadeira no antes povoado quintal (agora só me faziam companhia um Vascaíno e um Botafoguese) e concentrei-me para assistir o final do jogo, eram 40 minutos.

Pouco depois, vejo o Aílton receber bom passe de Ronald avançar como se não houvesse adversário para dentro da área Flamenguista, ele dribla, eu me curvo para frente, ele dribla de novo, Charles Guerreiro cai, eu me levanto rumo a TV, o Camisa 8 Tricolor arma o chute, a defesa olha impotente, em estou de pé, colado na tela... É gol, ouço alguns barulhos, mas não sou capaz de identificar de onde vem, estou calado ainda, ali, parado, esperando por um impedimento de Renato ou alguma marcação esdrúxula que possa atrapalhar aquele momento, ela não vem, vem sim o grito – É gol! É gol! É gol!.

Mais que depressa corro ao encontro dos outros tricolores, dentro de casa, no caminho um Flamenguista, coitado, ouviu um berro – TOMA ESSA!

Ainda deu tempo de Lima ser expulso por falta providencial em Sávio que driblava livre para entrar na área, esse lance só vi direito depois, a emoção daquele momento é inesquecível, inigualável, o FlaFlu que ameaçou consagrar Leonardo, Romário e Fabinho, acabou consagrando Renato, ele mesmo, o Gaúcho, o gol, que parecia de Aílton era de Renato, de barriga, para transformar em épico o título Tricolor e para tornar mais amarga a derrota Rubro-negra.

Acabou o jejum, o Fluminense é Campeão, em um FlaFlu, talvez o mais emocionante de toda história deste que é o maior clássico Brasileiro, o mais charmoso e o mais imprevisível.

Isso é FlaFlu!!!"

Sérgio Luiz Cerqueira



Vejam detalhes do jogo:


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6 comentários:

  1. Luiz,

    esses dois times já fizeram jogos memoráveis...

    me recordo de vários jogos em que o "sobrenatural" esteve em campo...

    abs...

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    1. Pois é rapaz... é o que comentei no post de ontem, eu posso passar o dia relembrando jogos históricos entre Fla e Flu... desde o meu primeiro dia em um estádio de futebol (vou contar essa no domingo) até o último 2x0 que eu não pude ver e fiquei no desespero querendo saber quanto tava

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  2. Me lembro dos dois como se fosse hoje... principalmente o de 95... em 91 me recordo de ver o Flamengo ser campeão pela primeira vez, foi um dia histórico, já que estava com meus 9 anos...

    Em 87 ainda muito novo eu não tenho muitas recordações das finais.

    Agora... em 95 eu lembro cada detalhe da partida...
    Vi o jogo na Quadra de A Novidade com meu amigo Pedrinho, botafoguense, que disse que ia torcer pro Flamengo, lotada a quadra!! Eu sentado em um engradado de cerveja vazio... Termina o primeiro tempo, aquele 2x0 sofrível... saí da quadra pra respirar, eis que meu amigo resolve falar que vai torcer pro Flu... pra minha tristeza momentânea... porque logo depois o Fla fez 2 (um deles o primeiro gol da carreira de Romário contra o Flu)... então meu amigo voltou a torcer pro Flamengo... e o final... bom... o final todo mundo conhece...

    Enquanto eu perdi de 3x2... esse meu amigo tomou 5x0 na lomba... é o que me consola... e no final das contas, a culpa foi toda dele!!!

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    1. Quando eu falo de primeiro título, to falando de título contra algum rival direto, porque em 90 eu tava no Estádio no Flamengo 1 x 0 Goiás pela final da Copa do Brasil, em Juiz de Fora, no primeiro jogo.

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  3. Dois detalhes sobre o o FlaFLu do gol de barriga:

    - na chuva que caia aquele dia. Me lembro perfeitamente. estava assistindo o jogo no independente e no primeiro gol do Flamengo, simplesmente acabou a luz. fui embora para casa e escutei pela rádio a alegria tricolor.

    - o Leonardo, meu xará, era de Sapucaia!!!! A família dele inclusive mora lá até hoje, salvo engano. Surgiu como promessa, mas no fim das contas era só mais uma promessa de carioca. Acho q nao vingou mto depois.

    saudações galera!

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    1. O Leonardo é de Sapucaia, joguei com o irmão dele, o Dedé, e conhecia cunhada dele, fez faculdade em Além Paraíba.

      Depois que "sumiu" acho que foi parar no Paços de Ferreira, de Portugal. A família mora em Sapucaia, assim como a família do Diogo, que foi goleiro do Flu, estudou com a minha muié no colégio.

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