segunda-feira, 27 de junho de 2011

A redenção dos noventistas

Rodolfo Sergio nasceu em São Paulo há 27 anos. Seu nome é fruto de uma homenagem de seu pai, fanático torcedor santista, a dois dos grandes jogadores do clube na época. E sem escolha, Rodolfo já nasceu alvi-negro já que representava a terceira geração de torcedores da família. Ainda criança ouvia de pai, tios e avôs, histórias do time de branco que encantou o país, parou guerras, encheu estádios e venceu a todos. Empolgado com os relatos, começou a frequentar os estádios no começo da década de 90. Vibrava com as atuações do goleiro Sergio, do lateral Índio, do volante Axel e dos atacantes Almir e Guga. Comemorava as vitórias contra Marília, Botafogo-SP e União São João. E comprovava, mesmo que erroneamente, as histórias do imbatível time de branco.

Começou a interessar-se sobre futebol. Passou a conhecer os principais rivais de seu time. São Paulo, Palmeiras, Corinthians, todos com menos títulos. E esse último ainda teria ficada 11 anos sem vencê-los! Seu time era o único bi-mundial do país. Não restavam mais dúvidas que ele estava torcendo para a equipe certa.

Contudo, algo parecia errado. Aqueles jogadores que brilhavam contra São José, América e Olímpia, encolhiam-se diante dos grandes da capital. Os campeonatos pareciam estar restritos àqueles três times. Viu o Corinthians ganhar o primeiro Brasileirão, o Palmeiras sair da fila e o São Paulo igualar-se a seu time com o bi-mundial. Mesmo assim, mantinha-se firme na decisão de torcer para o Santos. Diferentemente dos seus coleguinhas de escola, todos são paulinos, palmeirenses, corintianos... Santistas? Um ou outro que nem ligava para o futebol.

Em 95 o esperado grito de campeão parecia estar chegando ao fim. Seu time estava na final e aquele jogador de cabelos ruivos o encantava. Mas o título não veio. Não entendia o que estava acontecendo. Seu pai e avô xingavam o juiz. Anularam o gol? Tem como voltar? Tem outro jogo? Por que não voltam o lance? Tarde demais... Mais uma vez seu time não era campeão.

E para piorar, aquele jogador que o encantava estava indo embora. Ao menos haveria dinheiro para contratações. Mas o time continuou ruim. Goleada em casa contra o Palmeiras, golaço de Marcelinho na Vila... "Mas que porcaria de time" esbravejou certa vez. Cansado do futebol foi acompanhar F1, NBA, tocar guitarra. Qualquer coisa menos futebol.

Mas na F1 o Brasil também não ganhava mais. Na NBA resolveu torcer para o Jazz (nome legal pensava ele). Resultado - duas finais perdidas. O problema sou eu pensava inconscientemente

Enquanto isso parecia que o Santos finalmente ganhava algum título. Conmebol? Rio-SP? Quem disputa isso? Nem seu pai parecia ligar já que a família estava mais preocupada com a saúde de seu avô, que viria a falecer semanas depois

A década estava acabando e Rodolfo não acompanhava mais esportes. Às vezes ouvia seu pai gritando desesperadamente na sala mas nem se incomodava. "No último minuto não!" lembra ter ouvido durante algum jogo.

Mas em 2002 seu time finalmente seria campeão. 18 anos após seu nascimento seus familiares finalmente comemoraram um título. Emocionou-se mais com seu pai do que com o time já que viajava durante a final. Seria sorte ou o time era realmente bom? Parece que sim. Todos só falavam daquele time.

Mais um título em 2004, será que o time voltaria aos melhores momentos perguntava a si mesmo? 2006, 2007... Era hora de voltar aos estádios. Sua família toda era sócia, porque não resgatar aquele título que seu avô o deu ainda quando criança.

2008 foi a todos os jogos. Assistiu pela primeira vez a um jogo internacional e viu seu time ser desclassificado em casa. Durante o Brasileirão seu time lutou para não cair. Definitivamente o problema era ele.

Mas insistiu. Ele via nos noticiários que o seu clube era um dos poucos com estrutura. Parece que haviam promessas que vingariam. Continuou indo aos estádios até que em 2010 conseguiu a redenção. Gritou "é campeão!" no estádio ao lado de seu pai, tios e primos. E continuou gritando por mais algumas vezes até a semana passada quando seu time voltou a conquistar o continente. Pela primeira vez emocionou-se verdadeiramente com um time de futebol. Não haviam dúvidas que aquele era o seu time de coração. Ao pouco as histórias de seu avô sobre o fantástico time de branco voltavavam à sua memória. Emocionado, discretamente pediu desculpas pela trairagem durante a década de 90. Estava perdoado.
Comente via Blogger
Comente via Facebook
Comente via Google+

Um comentário:

  1. Cara, deve ser muito ruim ficar muito tempo sem título, eu já vivi isso na década de 90, quando fiquei de 92 a 96 sem levar títulos importantes, e olha que foram só 4 anos hein...

    Mas faz parte do futebol e é um dos motivos de ser esse esporte apaixonante!!!

    ResponderExcluir

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...