domingo, 5 de julho de 2015

Papo10 #12 - Resumão da Copa América

Um resumo com o sobe e desce de cada uma das seleções sulamericanas visando as Eliminatórias para a Copa de 2018.


sábado, 4 de julho de 2015

Papo10 #11 - Problema na formação de atletas

A safra é muito ruim, não temos opções boas, não adianta trocar treinador, jogador, massagista... a estrutura tem que mudar!


sexta-feira, 3 de julho de 2015

Reclamou? Amarelou!

Fala galera!

Pra quem está acompanhando qualquer jogo do Brasileirão, já deve ter visto (ou ouvido) que existe uma nova determinação da CBF, para que os árbitros sejam mais rígidos perante às tão famigeradas reclamações dos jogadores brasileiros. Além do Brasileirão já ter a maior média de cartões amarelos entre as principais ligas futebolísitcas (mesmo antes dessa determinação), há também o tal cartão amarelo em praticamente qualquer comemoração que o cara que mete o gol queira fazer. Se o cara tira a camisa, é amarelo (até concordo, por causa do patrocinador). Se o cara se aproxima do alambrado, é amarelo. Se o cara vai comemorar com algum torcedor ou com alguém de sua família que esteja na torcida, é amarelo! Haja amarelo!

A determinação da CBF foi sentida na pele e as estatísticas estão aí pra provar. Após as primeiras três rodadas do Brasileirão deste ano, por exemplo, houve um gritante aumento no número de cartões em 40%, se compararmos com a edição do ano passado. A CBF está pressionando os árbitros para que a recomendação seja seguida. Três homens do apito que aliviaram em jogos das duas primeiras rodadas ficaram fora do sorteio para a terceira, segundo o chefe da arbitragem.

É claro que tanto os técnicos quanto os jogadores são contra essa nova recomendação e dizem que o jogo ficou chato, que não podem sequer se aproximar do árbitro, que ele já está de prontidão esperando para amarelar. Vanderlei Luxemburgo e o jogador Robinho (do Palmeiras) foram dois exemplos que deram declarações públicas contra essa nova medida que tem sido adotada. Em contrapartida, pelo que parece, essa história ainda vai longe. A decisão foi endossada por uma circular feita pela comissão dos árbitros, que diz o seguinte: "as recorrentes e acintosas reclamações, individuais ou em grupo, contra as decisões do árbitro e de qualquer oficial da arbitragem, tanto durante como após o encerramento das partidas, exigem adoção de medida disciplinar adequada, pois as regras do jogo, o permitem e exigem". E ainda completa: "qualquer pessoa que, durante ou ao final da partida, se dirigir à equipe de arbitragem, para aplaudir (de forma irônica), reclamar de qualquer marcação ou ofender a equipe de abirtragem deverá ser EXPULSA (se for jogador ou substituto) e EXCLUÍDO (se oficial de equipe)".

O que eu acho de tudo isso? Eu concordo com a determinação. Mais chato do que ver o juiz distribuir cartões (seja amarelo, seja vermelho) por reclamações, é ver o jogador brasileiro que está culturalmente acostumado a reclamar de tudo. Lançamento pra área e todos os defensores já levantam o braço pedindo impedimento do atacante adversário (mesmo se ele tiver com mais de 2 metros de condição legal). A bola sai pra lateral, o jogador faz de bobo, finge que o lateral é a seu favor e se prepara pra cobrá-lo. Qualquer falta é contestada. Qualquer cartão é contestado. Será que eles nunca vão aprender que "se o juiz marcou, tá marcado"? Eu, sinceramente, nunca vi um juiz voltar atrás num cartão ou na marcação de um pênalti, por exemplo, depois de uma reclamação dos jogadores.

Acho sim importante que o time tenha uma liderança, um jogador mais influente, que saiba se aproximar e saiba conversar de maneira civilizada com o árbitro. É mais uma coisa que deveria ser copiada das ligas internacionais, como a Barclay's Premier, por exemplo, onde existe a aceitação dos jogadores com as marcações dos árbitros, as reclamações são mais respeitosas e o jogo é corrido, é jogado.

Menos #mimimi, mais futebol.

Até a próxima!

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Saber virar a página

Minha noiva é assinante da revista Vida Simples da Editora Abril, e na edição 157 do mês de abril de 2015 a reportagem de capa era sobre as etapas, ciclos de nossas vidas, intitulado de “Saiba virar a pagina”. Ciclos e etapas que por vezes chegam ao fim naturalmente. Mas que em muitos casos necessitam da nossa percepção e discernimento, para perceber o inicio ou hora de por fim e seguir ou não para uma nova direção. A reportagem é muito boa, e vale a leitura, assim como todo o resto da revista que em minha opinião, é uma das melhores publicadas no Brasil atualmente.

Comecei citando e também de uma forma indicando esta leitura, pois acredito que tenha muito de verdades sobre o atual momento de vários esportes no Brasil as vésperas das próximas Olimpíadas que serão realizadas no Rio de Janeiro no ano que vem. Não só do futebol, nosso principal e preferido esporte, mas de todas as modalidades praticadas no país. População enorme, país continental, deveria ser mais um dos motivos para que fossemos realmente uma potência olímpica. Fato é que não somos, e fato é que não seremos tão cedo. Lendo a reportagem, comecei a pensar e associar em tudo que envolve o esporte no Brasil. Sim, são muitas variáveis, que realmente não daria para serem citadas aqui, em poucas palavras.

Independente das muitas variáveis de cada modalidade, das peculiaridades de cada situação, a verdade mesmo é que não sabemos e não soubemos virar a pagina. Mudar a estação, mudar a direção, mesmo quando estava na cara, quando era obvio que devíamos seguir um novo caminho. Pra citar um exemplo recente, quando tomamos uma lavada de 7x1 no futebol, nosso principal esporte, no principal campeonato da modalidade. O que mudou de fato de lá pra cá? Será que estamos esperando o FBI levar todo mundo? Pena, mas eles não vão levar.

O que estou querendo dizer é que estamos às vésperas do maior evento esportivo de quase todas as modalidades e não temos uma base em nada, em praticamente nenhuma modalidade somos unanimidade. É claro que é impossível ser forte em todas, mas também podemos pensar que é impossível sermos medíocres na maioria (e somos, infelizmente), tendo um país tão populoso e continental, com uma das principais economias do mundo. 

Apenas pra citar, o Rio de Janeiro, uma das principais cidades do país, não é estranho que tenha que praticamente construir todas as sedes de todas as modalidades? Nem o estádio olímpico construído para o Panamericano de 2007 salva! Vergonha!!! É tudo novo, tudo feito para as Olimpíadas, e não para o esporte. Parece até contradição, mas é a realidade. Assim como os estádios feitos para a Copa do Mundo no ano passado. Feitos para a Copa, não para o futebol, basta ver o legado... Que bom que o futebol resiste, mas os outros esportes não tem esta força, infelizmente.

Parece que só vamos virar a página se outra catástrofe acontecer, mas esperamos sinceramente que não seja em junho do ano que vem. Até porque, muitos esportes daqui não tem a carcaça para aguentar o peso de uma vergonha mundial. Nem o esporte do Brasil merece e nem o povo brasileiro. Até lá, é vida que segue, virando a página ou não.

* Diego Ribas

quarta-feira, 1 de julho de 2015

FC Andarilhos

Fala galera! Hoje voltamos com mais um post da "Série Eu+10". Lembrando que nessa sessão um leitor ou amigo do blog monta a sua seleção de todos os tempos com 11 jogadores, o treinador, a formação tática e também dá nome ao time, nome esse que é o título do post. Só que o cara que monta o time precisa jogar, ele vai sacar alguém desse time e entrar no lugar dele, como capitão ainda por cima.

E hoje chegou a minha vez de montar o meu "dream team". Usando o nome de um time que tinha na infância, o Andarilhos vem com jogadores que se destacaram diante dos meus olhos, não coloquei ninguém que não vi atuando, seja pela TV, seja ao vivo nos gramados.

Difícil foi achar um lugar pra jogar com tantos craques que vi entre o final da década 80 aos dias atuais. O certo era entrar lá na frente, com a 9, mas como é que tira o Romário do time? Impossível... então sobrou pro Dunga, o meu volante-volante e capitão, que cedeu a braçadeira e a vaga pra mim.

O Special One comanda o time montado no 3-5-2 estilo Inglaterra de Rooney e Owen no PES do Play2.

Gostaram desse time? Montem o seu e envie para nós no e-mail luizpaulo@resenhaesportiva.com ou em nosso Facebook.

Fui!

terça-feira, 30 de junho de 2015

Real e Virtual - Parte 2

Na semana passada falei um pouco sobre o Cartola F.C. e aproveitando a deixa, no mesmo estilo virtual de “manager” do futebol, vi há alguns dias um documentário sobre outro jogo, também baseado em estatísticas. Este é sensacional, sua base de dados está sendo utilizada por times profissionais na busca de jogadores de potencial futuro para contratação. Anote aí o nome é em inglês e só esta disponível em versão legendada mas vale muito a pena: “An Alternative Reality: The Football Manager Documentary”. Para eu, que sempre joguei, achei fenomenal e me vi em várias situações relatadas no documentário e dá uma noção do tamanho da paixão de alguns torcedores. Realmente, é comovente, engraçado e leve. Bom para passar o tempo e se informar.

Confesso que ao jogar os dois “games”, fico mais interessado, ou sempre fui mais ligado em futebol desde cedo. Conhecer craques internacionais sempre foi fácil para quem jogava o Football Manager, antigamente chamado de Championship Manager. Tenho que admitir uma coisa, pois nunca atualizei a versão do meu jogo que é da temporada 2000-2001 (um clássico, kkkk). Alguns veteranos de hoje, na versão 2000-2001, tinha apenas 18 anos, como o Pirlo por exemplo. Este ainda jogava no Brescia e seu potencial (enorme) era baseado em observações de olheiros reais na Itália, assim como existe olheiros em todo o canto do mundo que relatam os potenciais de vários jogadores fazendo da base de dados do jogo uma grande ferramenta que replica a realidade. Uma das historias contadas no documentário é a do Demetrio Albertini, ex jogador da seleção da Itália, que ligou para os donos do jogo, pedindo para ser olheiro do jogo na Itália. Confessa que falava na Copa do Mundo das características de alguns jogadores adversários que ele retirava do game e repassava ao técnico da seleção italiana. Muito bom mesmo. Só vendo, mesmo que não conheça o jogo, veja, irá se divertir.

Por fim, um filme, não muito novo, mas que também esta relacionado a administração esportiva. Este fala do baseball, e mesmo pra quem não entende nada, como eu, o filme é muito bom e nos dá uma noção do que é administração esportiva de qualidade ou baseada em fundamentos sólidos. Chama-se “O homem que mudou o jogo”, com Brad Pitt. O filme é baseado em fatos reais e deveria ser visto por muitos “managers” brasileiros, para aprenderem alguma coisa. Não, não estou dizendo que todos não prestam, mas seria bom identificar uma trilha, um fundamento, um estilo de gestão coerente e que seja identificada facilmente. Não essa que muda a cada mês com maus resultados. Aí se acha um perfil de treinador que nada tem com o antecessor, totalmente incoerente e sem sequencia. Fica difícil. Mas o filme mostra o que é ter um planejamento, seguir uma coerência de trabalho, dar sequencia. Tudo que não se vê por aqui. Então, vale muito a pena assistir.

E na vida real... Tem marmelada? Tem sim senhor!!! Mas quem esta investigando é o FBI. Se segura malandro, não tem idade, cor, sexo, classe social. Se segura malandro, e para o bem do esporte o FBI é real, não é virtual não!!!

* Diego Ribas

segunda-feira, 29 de junho de 2015

MP do Circo

Fala galera! Foi aprovada pela comissão mista a Medida Provisória que regula direitos e deveres dos clubes de futebol no que condiz à negociação de dívidas com o governo. Em votação relâmpago e meio a muito tumulto os deputados e senadores que compareceram à sessão deram o sim para que a matéria siga para apreciação da Câmara dos Deputados. Esquecendo um pouco o que ainda pode acontecer no nosso poder legislativo vamos aos fatos sobre a MP.

Chamada de PROFUT, a medida é defendida com unhas e dentes pelo Bom Senso FC e até poucos dias atrás eu também a defendia, talvez por desconhecer algumas informações que talvez também passem despercebidas para o movimento de jogadores.

Em resumo a MP permite o refinanciamento das dívidas tributárias, não tributárias e trabalhistas, porém uma série de exigências são feitas, tais como teto de custo, comprovação mensal de pagamento de atletas (inclusive direito de imagem), proibição de antecipação de receitas de futuras gestões, investimento em categorias de base e no futebol feminino, limitação de mandatos presidenciais e direito a voto dos atletas em colegiados dos clubes.

Até aí tudo maneiro, tudo legal...
Caso os clubes não cumpram as exigências ou deixem de quitar as parcelas, o contrato de parcelamento é rescindido e algumas sanções administrativas e multas serão consideradas, seja para o clube, seja para os dirigentes.

No caso do dirigente ele passa a ser responsável pelos atos, respondendo civil e criminalmente. Já os clubes podem receber desde uma advertência até mesmo ser rebaixado de divisão, passando inclusive pela proibição de registro de atletas. Todos esses efeitos se estendem à CBF e às federações estaduais.

Pronto! Descobriram a pólvora! Isso é perfeito! Concordam?

Ah!! Mas agora vamos aos problemas, a pegadinha do malandro que vai gerar uma série de confusões no futebol brasileiro, inclusive correndo risco de sanções administrativas da Fifa.

Começamos lembrando a todos que tanto Fifa, quanto CBF, quanto clubes, são entidades privadas, e quando um clube se inscreve em uma competição da CBF ou da Fifa, ele assina um contrato aceitando todas as regras impostas pelas organizadoras, ok?

Posto isso, vale lembrar que a lei não está inserida em nenhum regulamentos dessas federações, ela é uma lei federal, pura e simplesmente, mas que não faz parte dos regulamentos que regem as competições, portanto, ela não tem validade no caso de sanções como o rebaixamento, por exemplo.

Mas claro que vocês vão falar que na Europa isso acontece com frequência. Certo... eu me precavi sobre isso também... e lhes digo: lá essas normas constam nos regulamentos das competições, por isso é permitido.

Então resumindo: se fizerem uma lei federal obrigando os clubes a quitarem suas dívidas com o governo sem que essas regras sejam aprovadas e incluídas nos regulamentos, vai dar MERDA! Lembrando sempre que a Fifa tem total autonomia para punir intervenções governamentais nas Federações...

No final das contas isso tudo me pareceu um grande circo armado para ludibriar o torcedor. Ou como bem falou o nosso amigo, Dr. Leonardo Schettini, “querem moralizar o futebol mas pode ter problemas. Os clubes é que deveriam se movimentar para mudar isso tudo.” Ele encerra citando o um grande jurista alemão, Georg Jellinek, que durante o simpósio sobre o Direito de Polícia realizado em 1971, na França, disse: Não se abatem pardais disparando canhões”.

Quero a opinião de vocês.


Fui!

sábado, 27 de junho de 2015

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Aprendendo a fazer dinheiro com o Porto: tipo Colômbia

Fala galera!

Há quase 1 ano fiz um post aqui no Resenha, sobre a máquina de dinheiro que é o Southampton. Só pra vocês terem uma ideia, na última janela de transferências, referente à temporada 2014/2015, o clube havia vendido 5 jogadores e arrecadado a bagatela de 120 milhões de euros, aproximadamente 415 milhões de reais. Foram negociados os jogadores Luke Shaw, Adam Lallana, Dejan Lovren, Calum Chambers e Rickie Lambert. Isso sem falar nas negociações de temporadas anteriores, como Gareth Bale e Theo Walcott.

Pois bem, hoje vou pra 2ª versão de "como fazer dinheiro" no futebol. Quem ensina, dessa vez, é o Porto. Segundo o site Transfer Market, que registra todas as transações feitas pelos clubes do mundo, nos últimos 10 anos, o Porto já faturou um valor próximo a 686 milhões de euros (quase 2,5 bilhões de reais!). Fica muito muito à frente dos seus rivais portugueses e bate de frente com gigantes do futebol europeu.

Mas o que é que o "tipo colômbia" tem a ver com essa história toda? Pois então, parece que a especialidade do clube português é a de descobrir colombianos que aumentarão as cifras do clube após alguns anos. O primeiro colombiano a gerar um ótimo caixa ao Porto foi Falcao García. O centroavante foi contratado em 2009 junto ao River Plate por cerca de 5,4 milhões de euros. Dois anos depois, acabou vendido ao Atlético de Madri por nada menos que 40 milhões. Um lucro exorbitante de incríveis 34,6 milhões de euros.

Neste meio tempo, o Porto ainda foi à Argentina buscar outra jovem promessa colombiana. Talvez tenha sido a negociação mais badalada. Ao Banfield, o time português pagou 7,4 milhões de euros para ter o meia James Rodriguez, em 2010. Foram três anos dele no Estádio do Dragão até que o Monaco acertasse sua contratação por 45 milhões. Mais 37,6 milhões de lucro para os cofres do dragão.

E como substituir um colombiano? Nada melhor do que com outro colombiano, é claro. E foi exatamente isso que o Porto foi buscar em Jackson Martínez, que custou 8,8 milhões de euros para ser tirado do Jaguares, do México, em 2012. Agora, ele está muito perto de ser negociado com o Atlético de Madri por 35 milhões e gerar mais 26,2 milhões de lucro ao balanço do clube.

Se formos fazer um somatório apenas desses 3 colombianos que citamos, o Porto teve um lucro de 98,4 milhões de euros, algo em torno de 340 milhões de reais. Fora isso, ainda podemos contabilizar o rendimento dos jogadores dentro de campo (conquistaram 3 campeonatos portugueses de 2009 pra cá, sempre com um colombiano figurando na artilharia) e o rendimento com ações de marketing, venda de camisas, etc. Para fazermos um paralelo e uma comparação à realidade brasileira, esses 340 milhões de reais de lucro que o Porto teve com a venda dos 3 jogadores colombianos, é um valor muito próximo ao que o Flamengo (que foi a equipe brasileira que mais teve lucro) faturou em toda a temporada de 2014.

Enquanto muitos clubes estão suando o bigode pra fazer negócios da China, o Porto dá uma aula de lucratividade com os negócios da Colômbia...

Até a próxima!

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Resenha Entrevista - Adil

Fala galera! Como tudo em nosso blog é esporádico, as entrevistas não seriam diferente, e depois de algumas semanas voltamos com uma entrevista que fiz e que me agradou muito, primeiro por ser com um jogador que acompanhei desde criança, já que ele é natural da cidade onde minha mãe nasceu, e sempre ouvia falar dele, segundo pelo exemplo de superação que ele é, terceiro pela conversa ter sido realizada durante o jogo festivo entre os Amigos do Zico e a Seleção de Juiz de Fora. Enfim... tudo conspirou pra ser uma conversa agradável. Nosso entrevistado é o ex-jogador Adil.

Adil Pimenta de Souza Júnior nasceu em 1963 na cidade mineira de São João Nepomuceno. Apelidado de Nica, começou a carreira no Botafogo local, ainda garoto, e ao passar em um teste migrou para os juvenis do América do Rio de Janeiro. Teve uma lesão no tornozelo que o fez parar por um tempo, sem querer assumir "o problema", o América o liberou. Sorte de Adil... o clube carioca entrou em crise e ele acertou com o Cruzeiro para retomar a carreira.
Em pouco tempo viraria profissional do Cruzeiro e daí em diante rodou por várias equipes do país, fazendo parte de grandes times e conquistando muitos títulos. Entre elas podemos citar Portuguesa, Corinthians, Grêmio, Bahia, Criciúma, Figueirense e Sport. Também passou por clubes de menor porte mas não menos importantes como o Tupi, de Juiz de Fora, o Bragantino, o Araçatuba, o São José e o Juventus, da Mooca, seu último clube como jogador já que logo após defender as cores do Moleque Travesso ele sofreu um grave acidente que chegou a lhe deixar paraplégico.

Com força e determinação Adil voltou a andar, com dificuldade, é claro, mas saiu de uma situação que muitos imaginavam irreversível para se tornar dirigente de futebol no Tupi. E foi justamente em Juiz de Fora, na terra do Galo Carijó, que tive o primeiro contato com ele, foi em 2005 em um programa de rádio que participei e ele estava presente. Agora, 10 anos depois, tive a oportunidade de revê-lo e ter uma conversa mais aprofundada sobre sua carreira.

Confiram as poucas perguntas, mas com boas respostas do guerreiro Adil!

Resenha Entrevista - Durante a entrevista coletiva você comentou que um dos motivos de ter virado jogador era seguir os passos do Zico. O que significa para você esse momento? Podemos dizer que é um momento histórico em sua carreira? (Adil comandou a Seleção de Juiz de Fora em partida contra os Amigos do Zico).
Adil Pimenta - Sem dúvidas, de repente estou recebendo uma homenagem divina, pode-se dizer assim. Porque eu tenho certeza que quando o Léo (organizador do evento) me fez o convite ele não tinha pensado na dimensão que é, eu fiquei emocionado quando ele me convidou. Eu acho que realmente é motivo de orgulho e satisfação poder estar participando de um evento tão bacana e puro como esse, então eu fico realmente lisonjeado.

RE - Em 99 você fez um gol antológico pelo Juventus, um chute do meio de campo que salvou a equipe do rebaixamento em partida contra o Santo André. Comente um pouco desse momento, ele pode ser considerado o gol mais importante da sua carreira?
AP - Podemos dizer que sim. Mas não só pelo gol, mas por tudo que aconteceu durante a partida. Aos 46 minutos do segundo tempo o Juventos ia cair para a segunda divisão o goleiro adversário faz um gol e empata o jogo, a gente vai lá e faz um gol do meio campo, então foi gol importante e o que mais me marcou na minha carreira, sem dúvidas. Como disse o William Bonner na época: o gol desmancha prazer.

RE - Hoje existe uma dificuldade muito grande de jogadores da nossa região brilharem em grandes clubes do Brasil. Você passou pelo Cruzeiro, Grêmio, Corinthians, inúmeros clubes de renome e foi titular na maioria deles. Você acredita que isso é devido a baixa qualidade do futebol da região, ou na falta de incentivo para os atletas locais? O que seria um fator preponderante nessa questão?
AP - Como disse o Zico na coletiva, a falta do material humano realmente existe, a safra não é das melhores. Se pegarmos uma escala nacional nós temos o Neymar disparado como sumidade, no meu entender, e outros jogadores que vem atrás dele mas não no mesmo nível que ele. Acho que o incentivo nem tanto, porque as condições que se dão aos atletas são muito melhores que na minha época, por exemplo. As concentrações, alimentação e os acompanhamentos são bem diferentes dos que eu tinha. Então realmente acho que falta é a qualidade mesmo, o material humano.

Foi isso galera! Uma conversa rápida mas produtiva, agradecemos ao Adil e aproveitamos mais uma vez para parabenizá-lo pelo exemplo de vida que ele é. Como falei lá em cima, acompanhei praticamente toda sua carreira e confesso que me senti emocionado em ter a oportunidade de poder falar com ele pessoalmente.

Em breve voltamos com mais entrevistas, temos várias já gravadas mas sem tempo para transcrever.

Fui!

* transcrição da entrevista feita por Mário Soares

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